quinta-feira, 27 de abril de 2017



Na procura do dinheiro de Judas (2)

Tentar reconstruir uma história acerca do dinheiro que tenha sido objecto de troca na célebre traição de Judas, deveria, como trabalho de investigação, obedecer e respeitar certas características sobre o seu conceito e objectividade.
Em primeiro lugar exigirá o respeito pelo seu argumento histórico, e obviamente, uma comparação sobre as suas fontes, como forma da salvaguardar o melhor possível, tanto a sua fiabilidade, como a credibilidade, de que precisamos para corroborar os factos.
Infelizmente, neste caso, essa análise comparativa não será de todo possível, visto a sua génese, ter como único elemento de documentação, alguns legados evangélicos dos Apóstolos S. Marcos, S. Lucas, S. João e S. Mateus. Tudo o que realmente possuímos e sabemos sobre a traição de Judas, é-nos relatado por esses escritos bíblicos, e por isso também a análise terá de ser cautelosa e consciente, sobre a forma como o sentido místico em interpretações ulteriores, poderá ter tido influência e criado limitações quanto à veracidade dos factos.
Por tudo isto, nesta minha análise interpretativa deste “caso” histórico, pela sua forma intuitiva, torna-se mais empírica que científica.
Terá sido no ano19 d. C. no reinado do imperador Tibério que Jesus Cristo foi crucificado.
Nesse tempo, a Judeia era então uma província romana, e como tal nela se aplicariam as principais decisões que vinham de Roma. Seria portanto natural que a moeda principal que circulava fosse romana, ou provincial romana, embora se tenha conhecimento de que a algumas outras moedas fosse permitida a sua circulação, como o exemplo das moedas da dinastia de Heródes.
Na generalidade da literatura, argumenta-se que Judas terá recebido pelo préstimo da sua traição, trinta moedas de prata. Neste ponto creio que todos os historiadores convergem.
No meu ponto de vista, e para passar aos factos, pela característica que conhecemos hoje das moedas que então terão circulado, excluo as moedas de ouro como o”áureo”, o ”quinário” em prata, assim como os “sestércios”, “dupôndios” e “asses”, geralmente cunhados em bronze.
Interessante salientar contudo, que no reinado de Tibério, só foram cunhados dois tipos de “denário”(denário do latim denarius) em prata. Não havendo conhecimento de que tenha sido cunhado nenhum outro tipo de moeda em prata, durante o período deste imperador.

Tibério-Denário emitido no ano 14 d.C. em Lião (França) 3,78grs.)


O primeiro denário, cunhado no ano 14 d.C. em Lião, apresenta no anverso o busto do imperador Tibério com a legenda “TI CAESAR DIVI AVG F AVGVSTVS”. No reverso apresenta Lívia, (sua mãe) ou a Pax, sentada, com um ramo de oliveira na mão esquerda, e um bastão na mão direita, com a legenda “PONTIF MAXIM”. ( Há divergências acerca da  figura do reverso).
O segundo, terá sido cunhado no ano 16 d.C., e igualmente em Lião. Também este apresenta no anverso, o busto de Tibério, com a mesma legenda do primeiro. No reverso, apresenta o imperador conduzindo uma quadriga, com a legenda “TR POT XVII IMP VII”. O seu peso era variável, e valeria o equivalente a dez “asses”.
Temos então, que estas moedas circulariam em todo o império, aquando da morte de Jesus Cristo. E, poderíamos concluir, que qualquer destas moedas “denários”teria grandes probabilidades de ter servido de aliciamento no negócio que propuseram a Judas. Mas, porque não inclui-los também misturados com outras moedas, ou simplesmente um outro tipo de moeda em prata?
Alguns elementos substanciais transmitidos no legado dos quatro apóstolos servem para esclarecer algumas dúvidas sobre estas hipóteses.
Hoje, no nosso quotidiano, e na nossa cultura, utilizamos o termo “dinheiro”. Mas, na ligação que se lhe faz, quando se menciona este caso de Judas, a palavra “dinheiro”, terá evoluído, e colado na sua identificação popular, aparecendo o termo tanto na literatura, como no cinema, e em que usado desta forma, se estará a deformar uma realidade histórica.

Tibério-Denário emitido no ano 16 d.C. em Lião - 3,94grs.)


Nas sagradas escrituras, no que pesquisei, não vi mencionada a palavra “dinheiro”. Uma bíblia editada em 1859, que folheei numa biblioteca, foi-me bastante útil.
Dos quatro evangelistas que se referem a este caso, dois deles, S .Marcos e S. Lucas, afirmam que Judas vendeu Jesus, mas sem dar pormenores sobre o montante do negócio.
No evangelho de S. João, faz referência a trinta moedas de prata.
É contudo, S. Mateus que na sua narração, nos poderá esclarecer mais sobre este assunto.
Acusando o seu condiscípulo Judas, por este ter vendido o Mestre pela soma de trinta “siclos”de prata. Teria ele sido colector de impostos para falar desta maneira tão formal, no que se refere a “siclos”de prata?
Não encontrei nada, que me tenha dado indicação de que alguma vez se tenha usado a palavra “siclo” em referência  ao assunto que tratamos.
O termo “siclo” é conhecido como uma medida antiga, que equivalia a 6 gramas de prata.
Mas na narrativa de S.Mateus, também poderia ser a moeda de prata utilizada por fenícios e hebreus, que em hebraico era designado por “shekel”.
É pois muito provável que Judas tenha traído, e sido pago com 30 (trinta) “shekels” de prata.
Julgo que naquela época, o único tipo de moeda de 1 (um) shekel em prata que circulou na região tenha sido o “shekel” dito de Jerusalém (como nas moedas de Tiro).

Era uma moeda que pesava mais ou menos 14 a 15 gramas, e circulou em grande quantidade, tendo sido feitas várias cunhagens deste tipo de moeda. Uma delas foi precisamente no ano 33 d.C. O ano da suposta morte de Jesus Cristo? Aqui também existem muitas divergências, embora as datas que aparecem com mais frequência sejam entre os anos 30 e 33 d.C.
O “shekel de Jerusalém” em baixo retratado, apresenta no anverso o rosto do antigo deus Melkart, também conhecido por Baal, virado à direita, e no reverso apresenta uma águia virada à esquerda.

Judeia-Shequel de prata 14,27grs. cunhado em Jerusalém 12/11 a.C., ((  provavelmente terá servido de tributo a Judas)) A efígie de Melkart é totalmente diferente do shekel de Tiro).

Atendendo a que o preço de um escravo, naquela época, seria de 180 g de prata, poderemos calcular que Judas no negócio efectuado, teria vendido o Mestre por cerca de 4,250 Kg de prata.
Creio pois, ser o “shekel de Jerusalém” a mais provável moeda que procuramos identificar nesta história, pese embora o risco de decepcionar alguns coleccionadores que já possuam uma, ou as duas variantes do “denário” de Tibério, denominados por “dinheiro de Judas”.
Contudo, estes dois “denários” continuam a ser extremamente interessantes, quem sabe se não terão sido utilizados pelos soldados romanos que guardavam o sepulcro, enquanto jogavam aos dados sobre a túnica de Jesus Cristo, o que lhes confere sempre uma grande história.
O que lamentamos, é que ao longo dos tempos o conceito que nos parece mais plausível para esta história, por motivos menores, se tenha adulterado, e sobreposto ao texto original.
Dizer que Judas entregou Jesus Cristo por 30 dinheiros, sempre é mais cómodo que dizer, Judas entregou Jesus Cristo por 30 shekels.
Afirmar quais as moedas que pagaram a traição de Judas, é tarefa difícil, senão impossível.
Denários da época de Augusto? Dracmas, siclos, ou shekels?
Pouco provável é que tenha recebido denários de Tibério. Isto porque mesmo as cunhagens em grande quantidade, demoravam muito tempo a entrar em circulação, sobretudo nas províncias longínquas do império, como a Judeia onde circulavam muitos tipos de moeda.
Esta questão, levantou-se na Idade Média, e foi proposto ou entendido pelos dirigentes eclesiásticos da época, que a moeda representativa desse facto histórico deveria ser uma moeda que representava Cristo com uma coroa de espinhos. De facto existe um “dracma”de Rodes que representa o deus Hélios ( na mitologia associado ao Sol), com a cabeça adornada com raios, parecendo Jesus Cristo com a coroa de espinhos. Essas moedas, foram na época alvo de uma grande devoção.

6 Cária-Rodes, Dracma 175-170 a.C.

 Porque razão Judas traíu Cristo?

Durante séculos, este personagem tem fascinado teólogos, artistas, intelectuais, que se interrogam motivo que o levou a cometer este crime, e avançam com algumas hipóteses.


Judas Iscariote (ou Iscariot ou Iscarioth) foi segundo a tradição cristã, um dos doze apóstolos de Jesus de Nazaré.
Segundo os evangelhos canônicos, Judas facilitou a prisão de Jesus por internédio dos  sumos sacerdotes de Jerusalém, que em seguida o entregaram a Ponce Pilatos.

A figura “evanescente” deste personagem é motivo de muita controvérsia na historiografia cristã, a sua autenticidade permanece muito frágil e levanta dúvidas sobre uma parcela significativa das críticas.
 
Bandido ou revolucionário?
O cristianismo baseado no evangelho de João, fez de Judas um vulgar criminoso atraído pelo dinheiro fácil, que entregou o mestre por algumas moedas.
Mas, esta hipótese é muito contestada:  a quantia oferecida a Judas  pelos romanos  (trinta denários ?) é insignificante,  porque Judas enquanto tesoureiro dos apóstolos tinha oportunidade de se apropriar importâncias  mais elevadas. 



“O seu nome Iscariotes, também faz pensar que era, ou foi membro dos sicários, judeus “zelotes” que defendiam a rebelião armada contra os romanos.
Finalmente decepcionado por Jesus um Messias muito pacifista, terá motivado Judas a cometer a sua traição.

Todavia, a influência dos sicários parece ser posterior à morte de Jesus.
No entanto, a pista de um conflito, uma  incompatibilidade ideológica entre um dirigente idealista e Judas, continua a ser possível.

(Sicário :(em latin sicarius) - “homem da adaga”, é um termo aplicado nas décadas imediatamente precedentes à destruição de Jerusalém no ano 70, para definir um grupo extremista separatista de zelotas judeus que tentavam expulsar os romanos e seus simpatizantes da Judeia.
Os sicários utilizavam a “sica”, termo latino para um tipo de adaga pequena que escondiam nos seus mantos).

Aquando de reuniões públicas, eles sacavam estas adagas para atacar os romanos ou judeus simpatizantes, se misturando depois à multidão para se escaparem.
Os sicários foram um dos primeiros grupos organizados cujo objetivo era a realização de assassinatos, muito antes dos assassinos  do Oriente Médo e dos ninjas japoneses.



Judas, um traidor necessário?
Antes do reaparecimento do Evangelho de Judas, a teologia já tinha avançado com a possibilidade de um “traidor messiânico”, sacrificado para que se realizasse o destino de Jesus.
Efetivamente, sem Judas não teria havido cruxificação nem ressurreição.
A questão da punição divina reservada a Judas e, uma possível indulgência tem sido um assunto de muitas divergências nos debates teológicos.
O olhar, (ou por outras palavras  direi o julgamento do cristão),  sobre este personagem amaldiçoado, passou a ser mais indulgente a partir século XIX.

O Novo Testamento, dá-nos duas versões diferentes sobre a morte de Judas.
No Evangelho segundo São Mateus, Judas morre logo após a condenação de Jesus.
Este cheio de remorso foi ao encontro dos sacerdotes e anciãos e disse-lhes.
Pequei traindo um inocente.  Em seguida retirou-se , atirou com as moedas para o templo e enforcou-se. (Mateus 27,5 TOB).


Os atos dos Apóstolos (1,18) dão-os outra versão.
“Depois de adquirir um campo com o salário do seu crime, Judas caíu , quebrou pelo meio e, todas as suas entranhas se espalharam à sua volta.



Há dois mil anos, Judas Iscariotes entrou para a história por ter entregado Cristo a troco de algum dinheiro.
Todavia, o enigna referente à quantia e  identificação das moedas  que recebeu em troco da sua traição, ainda não foi desvendado.

Manuel Félix Geada Sousa


Bibliografia

André Paul ; La Bible avant la Bible : La grande révélation des manuscrists de la Mer Morte, éd. Cerf, Paris, 2 005.
James M. Robinson; Les secrets de Judas, Histoire de l’apôtre incompris et de son evangile- éd. Michel Lafon, 2 000.
Le Douzième Apôtre; Fac- Reflexion n°22, Fevereiro 1993, PP 14-26 (Le cas de Judas et la doctrine de la reprobation)
Centre Numismatique du Palais-V. S. O.  Paris 28-06-2002. 

Notas e referências

Mireille Hadas Lebel, Jerusalém contre Rome, éd. Cerf, Paris 1 990, p, 416-417.
Simon Claude Mimouni, La figure de Judas et les origines du christianisme : entre tradition et histoire, publié par Maddalena  Scopello, éd. Brill, Danvers, 2 008.
Simon Claude Mimouni, Le judaisme ancien du VI a.C., au III siècle d.C., éd. PUF,  2 012, p, 469.

terça-feira, 28 de março de 2017



Jogos de circo em moedas de Septímio Severo e filho Caracala

Este tipo monetário em moedas dos imperadores Septímio Severo e do seu filho Caracala, é único nas cunhagens romanas.
São de facto  umas das moedas romanas mais espetaculares e mais cobiçadas pelo colecionadores.
Este tipo com jogos de circo é inabitual: além disso, tantos pormenores gravados  num denário ou num áureo com menos de 20 mm de diâmetro é muito raro mas, aparece com alguma  frequência  em moedas grandes de bronze: sestércios, dupôndios, asses,  medalhas . 

Septímio Severo-Denário cunhado em Roma em 202-204
Anv. Septímio laureado à direita, SEVERVS PIVS  A G
Rev. Galera, 4 quadrigas e 7 animais, LAETITIA TEMPORVM
(Ref. RIC-274, RSC-253, BMC-343)

Septímio Severo-Áureo cunhado em Roma em 206
Anv. Septímio laureado à direita, SEVERVS PIVS  A G
Rev. Galera, 4 quadrigas e 7 animais, LAETITIA TEMPORVM
(Ref-RIC- 274, H-476)

As moedas em questão apresentam um navio cercado por quadrigas e animais.
Esta estranha iconografia relata um fato, um evento histórico: as grandiosas festas organizadas por Septímio Severo no Circus Maximus (Circo Máximo).
No entanto os pesquisadores nem sempre estão de acordo sobre a data dos eventos relatados. As festividades do ano 202 após o triunfo do imperador sobre os partas, o casamento do seu filho mais velho com a filha do Prefeito do Pretório, as suas decenales ou ainda os jogos seculares em 204?

Segundo Dion Cassius (Dião Cássio, livro LXVI), estes jogos tiveram lugar no ano 202, também com grande variedade de espectáculos na ocasião do regresso de Severo, do décimo ano do seu reinado e das suas vitórias .

Para dar início aos  jogos afrontaram-se entre eles 60 javalis, propriedade de  Plutianus (Caio ou Lúcio Fúlvio Plauciano); foram degolados grandes quantidades de outros animais, assim como um elefante e um “crócota”.

Este último originário da Índia, nunca tinha sido visto em Roma;  o seu corpo e a cor seria uma mistura de leão e trigre.   
Estrabão que usa a palavra crocuttas, descreve o animal como um descendente misto de cão e lobo; enquanto  Plínio também o descreve misto de cão e lobo, ou entre hiena e leão.

A enorme jaula construída em forma de barco, para poder receber os 400 animais, ter-se-à abrido de repente soltando  ursos, panteras, leões, avestruzes, onagros, bisontes, búfalos e outros, que logo se guerrearam entre eles e, como a festa durou mais tempo do que o previsto, foram necessário mais 300 totalizando 700 animais selvagens e domésticos que lutaram entre eles, e mataram-se uns aos outros.

Também é possível que Dião se tenha confundido com os jogos do ano 204.
Todavia,  este tipo monetário é persuasivo com o encadeamento dos jogos, e com o recito de Dião Cássio que nos diz que 7 animais se escaparam do barco e que encontramos na moeda: avestruz, leão, onagro, búfalo, pantera, leão e urso. estes dois mais difícies de localizar na moeda.

Caracala-Denário cunhado em Roma em 206
Anv. Caracala laureado à direita, ANTONINVS PIVS AVG
Rev. Galera, 4 quadrigas e 7 animais, LAETITIA TEMPORVM
(Ref. RIC-157, BMC-508, Cohen-118, Hill-793

Os jogos foram sem dúvida no Circo Máximo, as quadrigas no cimo do reverso da moeda em questão não deixam dúvidas. Mas, acima de tudo distingue-se perfeitamente as instalações no centro da pista (spina). Com efeito, o obelisco central de Ramssés II, serve de mastro ao barco.

Na proa e na popa, veêm-se as metae, terminais cónicos em torno dos quais os carros davam a volta.
Entre as duas extremidades são visíveis diversas instalações: edículas ou pequenos santuários, mais visíveis nos áureos.

Caracala-Áureo cunhado em Roma em 206
Anv. Caracala laureado e drapeado à direita,
ANTONINVS PIVS AVG
Rev. Galera, 4 quadrigas e 7 animais, LAETITIA TEMPORVM
(Ref. RIC-133, BMC-263, pl.34, 4, Kent-Hirmer pl.113,391, Calicó-2686, Biaggi-1179)

Caracala-Áureo cunhado em Roma em 213
Anv. Caracala laureado e drapeado à direita, 
ANTONINVS  PIVS AVG
Rev. Circo Máximo, P M  TR P XVI COS IIII P P
(Ref. RIC IV-211b, BMCRE pg. 439, Calicó-2710)
(Raríssimo, cunhado no ano 213 para comemorar a renovação do circo por Caracala. Estimado a 75 000 euros, foi vendido por160 000)

Segundo O historiador Plínio, o Circo Máximo (ou Circo Grande)  podia receber 150 000 espetadores, seja cerca de  três vezes mais que o Coliseu.

Caracala-Sestércio cunhado em Roma em 213
Anv. Caracala laureado e drapeado à direita,
M AVREL ANTONINVS PIVS AVG BRIT
Rev. Circo Máximo, P M TR P XVI IMP II  COS III PP  SC
(Ref. Cohen-236, RIC-500a)

Os jogos seculares do ano 204, terão ficado gravados na memória dos romanos como grandiosas cerimónias, associando celebrações religiosas e festividades civis diurnas e noturnas, com representações teatrais e jogos de circo.

A chegada do novo século que todos esperavam ser bom; foi de facto uma oportunidade para o poder romano se mostrar unido sobre a proteção dos deuses: entre outros, Hércules e Liber Pater deus da vinha, (assimilado a Baco ou Dionísio) protetores do imperador Septímio Severo.

Septímio Severo-Áureo cunhado em Roma em 204
Anv. Septímio laureado à direita,
SEVERVS PIVS AVG
Rev. Liber (Baco) com um bastão na mão esquerda e Hércules com a moca ou maça na mão direita, COS III LVDOS SAECVL FEC
(Ref. Cohen-108)

Caracala-Áureo cunhado em Roma em 202-204
Anv. Caracala laureado e drapeado à direita,
ANTONINVS PIVS AVG
Rev. Liber (Baco) com um bastão na mão esquerda e Hércules com a moca ou maça na mão direita, COS III LVDOS SAECVL FEC
(Ref. RIC-74b, Cohen-51var., BMC-275 a, Calicó-2668)

Durante todo o seu reinado Septímio realçou a sua família: a nova dinastia dos Severos (tal como a  Nerva-Antonina) no auge do seu poder.
O pregoeiro que convidava o público a assistir a estes jogos, presenteava-os com uma fórmula que se tornou tradicional: “jogos que nunca viram, e não voltarão a ver.

Os jogos seculares (em latim, ludi saeculares) festejavam o fim de um centenário e o início do seguinte.

MGeada

Bibliografia

Christol M.; L’Empire romain du III siècle, 2ème edition, Editions Errance.
Compagnie Général de Bourse ; Rome VIII, Vente à prix marqués.
Daguet Gagey, A. ; Septime Severe- Rome, l’Áfrique et l’Orient, Biografhie Pavot.
Darenberg et Saglio, diccionaire des antiquités grecques e romaines.
François Zosso- Christian Zingg ; Les empereurs romains-27 av. J.C.-476 ap. J. C.
Gagé J. ; Les jeux séculaires de 204 ap. J.C. et la dinastie des Severes.
Hill P. V. ; The coinage of Septimius Severus and his familly of the Mint of  Rome, Sanford J. Durst.
L’histoire du peuple romain, Editions Gallimard-Larrousse.
Jérôme Carcopino ;  La vie quotidienne à l’apogée de l’Empire, Editions Hachete.
Paul Werner ; La vie à Rome aux temps antiques, Editions Minerva

sábado, 25 de fevereiro de 2017


Bigas trigas e quadrigas na numismática romana.

Numa passagem da “Germânia” de Tácito, (historiador, orador e político romano, 55-120, a.C.,) o autor mencionou que, tal como os denários “Serrati” serrados e, os “Bigatis” Bigas, são as moedas de prata favoritas dos bárbaros nas suas transações com os romanos.

As “bigati”, são denários da República Romana que têm como tipo de reverso, uma divindade numa biga: um carro puxado por dois cavalos.

A emissão das mais antigas bigas remonta a cerca do ano 217 a.C.,  e, eram cunhadas simultaneamente com os denários tipo “Dióscuros”.
Como estes, têm no anverso a deusa Roma com capacete mas, o reverso é ocupado pela deusa Lua (ou Selene na mitologia grega) num carro puxado por dois cavalos ao galope. Os equi lunares “lunares equi” ? mencionados por Ovídio (Fasti, V,16).

Denário cunhado em Roma em 109-108 a.C.
Rev. a Lua conduzindo uma biga puxada por cavalos
(Ref. Crawford-303/1, Sydenham-557)

Mais ou menos na mesma época foram emitidos em Roma “bigatis” tipo  Vitória semelhantes aos da Lua, que  dizem terem sido copiados das moedas da Grande Grécia.

Campânia-AE 25 cunhado em Cápua em 216-211 a.C. (Sob a ocupação de Aníbal)
Rev.  uma Vitória conduzindo uma biga puxada por cavalos
(Exemplar da Biblioteca Nacional de França)
(Ref. J. Babelon, Catálogo da coleção de Luynes, Paris, 1936, n.62

Denário cunhdo em Roma no ano 154-141 a.C.
Rev. Uma Vitória conduzindo uma biga puxada por cavalos
(Ref. Crawford-206, Sydenham-388, BMC-670)

Oa denários “bigati” com bigas tipo Lua e Vitória, foram emitidos em grande abundância até ao ano 104 a.C., mas, estes não destronaram o tipo primitivo dos dióscuros Castor e Polux a cavalo, que continuou a ser o mais comum, até que os emblemas particulares dos magistrados, foram substituindo os primeiros reversos  tradicionais.

Denário cunhado em Roma 211-209 a.C.
Rev. Dioscuros cavalgando para a direita
(Ref. Crawford-61/1, Sydenham-147)

É provável que o nome “bigati”para os “Germanos” de Tácito, englobava não só os denários tipo biga conduzida pela  “Lua” ou, por uma “Vitória”, mas também os do tipo Dióscuros galopando lado a lado com uma lança na mão.

No seguimento das cunhagens  da República Romana, encontramos outros denários aos quais devido ao seu tipo também podemos chamar “Bigatis”.
São os diferentes reversos da biga de Diana, esta conduzindo uma biga  puxado por cavalos ou veados, de Apolo, ou ainda Juno Caprotina numa biga puxada por bodes.
Enumeremos também os denários com as bigas de Ceres, Cibele, de Marte, Génio do povo romano, da Liberdade, da Pietas:  não esquecendo as bigas puxadas por centauros,  dragões, elefantes, leões, hipocampos etc..

Denário cunhado em Roma 179/170 a.C.
Rev. Diana conduzindo uma biga puxada por cavalos
(Ref. Sydenham-325)

Denário cunhado em Roma 138 a.C.
Rev. Juno Caprotina conduzindo uma biga puxada por bodes
(Ref. Crawfood-231/1- Sydenham-432)

Denário cunhado em Roma no ano 131
Rev. Apolo conduzindo uma biga puxada por cavalos
(Ref. Crawford-254/1, Sydenham-465)

Denário cunhado em Roma em 92 a.C.
Rev. Diana conduzindo uma biga puxada por cervos
(Ref. Crawford-336/1b, Sydenham-595)

Enumeremos também os denários com as bigas de  Hércules, Pax, Júpiter, Cibele, Liberdade, Netuno, Ceres, Juno Sospita e outros, por vezes puxadas por centauros Dragões, elefantes, leões, serpentes Hipocampos (cavalos marinhos) etc..


Denário cunhado em Roma no ano 139 a.C.
Rev. Hércules conduzindo uma biga puxada por centauros
(Ref. Crawford-229/1, Sydenham-429, BMC-914, Sear-106)

Denário cunhado em Roma em 128 a.C.
Rev. A Pax conduzindo uma biga, ROMA
(Ref. Sydenham-496)

Denário cunhado em Roma no ano 125 a.C.
Rev. Júpiter conduzindo uma biga puxada por elefantes
(Ref.Crawford-269/1, Sydenham-485)

Denário cunhado em Roma em 78 a.C.
Rev. Cibele conduzindo uma biga puxada por leões
(Ref. Crawford.385/4)


Denário serrado cunhado em Roma no ano 75 a.C.
Rev. Libertas (Liberdade) conduzindo uma biga puxada por cavalos
(Ref. Crawford-391/1)


Denário serrado, cunhado em Roma no ano 72 a.C.
Rev. Netuno conduzindo uma biga puxada por Hipocampos (cavalos marinhos)
(Ref. Crawford-399/1ª, Sydenham-796)


Denário cunhado em Roma em 76 a.C.
Rev. Ceres conduzindo uma biga puxada por serpentes, M. VOLTE.I.M.F
(Ref. Crawford-385, Sydenham-776


Denário cunhado em Roma 44 a.C.
Rev. Juno Sospita conduzindo uma biga puxada por cavalos
(Ref. Crawford-480/2ª, Sydenham-1057, RSC-36)



Denário cunhado em Roma 211-217 d.C.
Rev. Lvna Lvcifera (Lua Lucifera) conduzindo uma biga puxada por cavalos
(Ref. RIC-Caracala-379, BMC Caracala-10.C105)


AE 29 cunhado na Tácia (Istrus) 193-211
Rev. Nique ou Niquê conduzindo uma biga puxada por cavalos
(Ref. Varbanov-620)

Fáceis de conduzir, nos tempos antigos, as bigas e quadrigas eram muito práticas, rápidas, foram utilizadas em guerras, mas também em jogos de circos, muito apreciados pelos romanos.

Ao elaborar este trabalho, é quase impossível não pensar nessas corridas, nas arenas e no público aplaudindo os seus campeões.
Mas, antes de entrarmos no assunto, temos que saber que as bigas são carros puxadas por dois animais: cavalos, elefantes, leões, touros, burros, dragões etc., as trigas por três, enquanto as quadrigas são puxadas por quatro.

Plínio o Antigo, diz-nos que na cerimónia fúnebre  de Félix (auriga célebre), um dos seus adeptos cheio de tristeza, atirou-se para a fogueira aonde o seu seu ídole estava a ser cremado. Um gesto demente, que diz muito sobre a paixão louca dos adeptos das corridas de carros e outros jogos de circo.

As corridas de carros, por vezes com acrobacias, eram muito aplaudidas e originavam grandes paixões.
É certo que o povo vibrava pelos carros puxados com dois ou três cavalos mas, a mais apreciada era a quadriga puxada por quatro.

Os concurrentes eram profissinais que faziam parte de uma equipa mas, estas eram limitadas e definidas por uma cor:

Sob o império os carros pertenciam a escudeiras que se distinguiam pelas suas cores.
As mais famosas eram: o Vermelho (em latim Russata) e o Branco(em latim albata), em seguida o azul (Veneta) e o verde (Prasina).

De modo geral, a Russata  corria contra a Veneta e a Albata contra a Prazina.
Cada equipa em particular a dos azuis e a dos vertdes tinham os seus adeptos muito provocadores e, as suas cores correspondiam a tendências políticas ou grupos sociais.

O Senado e a aristocacia tradicionalista, identificavam-se com os azuis enquanto a massa popular e os mais democráticos apoiavam os verdes.
O auriga vestia-se com a cor da sua escudeira. Cada fação era dirigida por um dominus factonis que dirigia uma garande equipa: cocheiros, palafreneiros, veterinários etc,.

Também é frequente encontrarmos moedas com bigas, trasportando o cadáver do imperador, ou imperatriz à sua última morada.


Agripina Senior-sestércio (póstumo)cunhado em Roma por Calígula “seu filho” em 37-41
Biga funerária puxada por duas mulas, trasportando o cadáver da imperatriz Agripina. MEMORIAE AGRIPPINAE   SPQR
(Ref. RIC-55, BMC-81, Sear-1827)

De notar, que só o imperador tinha  o direito de utilizar uma quadriga, enquanto as mulhers só tinha direito à biga, demonstrando mais uma vez que em Roma a mulher era considerada a metade de um homem.
(Será por isso que ainda hoje  existe esta frase muito popular:  “apresento-vos a minha metade”?)

A partir desta simples descrição, pensamos não ser necessário apresentar  em promenor todos os “bugatis”, tanto valorizados pelos Germanos e, que constituem uma grande parte do numerário da República Romana, mesmo na época em que os monetários se inspiravam nos feitos dos seus antepassados, para ornamentar os reversos dos denários.

Trigas

Outro meio de locomoção de origem etrusca e, pouco frequente na numismática romana é a "triga "(carro puxado por três cavalos).

Apesar de procurar muito, as informações sobre este tipo de carro também não abundam. Sabemos que participava com alguma frequência nos jogos de circo mas, não encontrei nenhuma referência sobre o porquê da sua cunhagem.


Denário cunhado em Roma no ano 79 a.C.
Rev. Uma Vitória conduzindo uma triga puxada por cavalos
(Ref. Sydenham-769b)
   
Denário cunhado em Roma em 111-110 a.C.
Rev. Uma Vitória conduzindo uma triga puxada por cavalos
(Ref. Crawford-299/1 a, Sydenham-570, BMC- CRR-769/1, RRC-382/1, RCV-309, MMR-1277)

Quadrigas

Um tipo de reverso quase tão comum como os dióscuros, a biga da Lua, da Liberdade, da Vitória e outros nos denários mais antigos da Républica Romana, é o da “quadriga de Júpiter”, daí o nome de “quadrigati” atribuído as estas moedas.


Denário cunhado em Roma em 136 a.C.
Rev. Júpiter conduzindo uma quadriga puxada por cavalos
(Ref. Crawford-238/1, Sydenham-451)

Este tipo começou a aparecer nos denários cunhados em Roma e outras cunhagens provinciais romanas, nomeadamente nas quadrigas e bigas de Júpiter que circulavam  em moedas de Campânia (ou Campanha), emitidas pelas oficinas de Cápua e Atella.

Campânia-3/8 de Shekel em electro, cunhado em Cápua  217-211 a.C.
(Sob ocupação de Aníbal)
Rev. Júpiter conduzindo uma quadriga puxadaa por cavalos
(Exemplar da Biblioteca Nacional de França)
(Ref. J. Babelon-catálogo da coleção de Luynes, Paris, 1936, n.58)

Campânia- AE 31 cunhado em Attela na segunda metado do século III
Rev. Júpiter conduzindo uma quadriga puxada por cavalos
(Exemplar da Biblioteca Nacional de França)
(Ref. (Ref. J. Babelon, Catálogo da coleção de Luynes, Paris, 1936, n.58)


Denário cunhado em Roma em 141 a.C.
Rev. Venus conduzindo uma quadriga puxada por cavalos
(Ref. Crawford- 226/1


Denário cunhado em Roma no ano 130 a.c.
Anv. Hércules conduzindo uma quadriga puxada por cavalos
(Ref.Crawford-255/1, Sydenham-511)


Denário cunhado em Roma em 132 a.C.
Rev. O Sol conduzindo uma quadriga puxada por cavalos
(Ref. Crawford-250/1, Sydenhan-487)


Denário cunhado em Roma em 104 a.C.
Rev. Saturno conduzindo uma quadriga puxada por cavalos
(Ref. Crawford-317/3ª)


Denário cunhado em Roma em 138 a.C.
Rev. Marte conduzindo uma quadriga puxada por cavalos
(Ref. Crawford-232/1, Sydernham-434)


Denário cunhado em Roma no ano 131 a.C.
Rev. Marte conduzindo uma quadriga puxada por cavalos
(Ref. Crawford-252/1, Sydenham-472)


Denário cunhado em Roma no ano 125 a.C.
Rev. Libertas Liberdade conduzindo uma quadriga puxada por cavalos
(Ref. Crawford-270/1- Sydenham-513)


Denário cunhado em Roma em 104 a.C.
Rev. Saturno conduzindo uma quadriga puxada por cavalos
(Ref. Crawford-317/3ª-Sydenham)

Denário Cunhado em Roma no ano 90
Rev. Minerva conduzindo uma quadriga puxada por cavalos
(Ref. Crawford-341/5b, Sydenham-684)


Denário cunhado em Roma em 83-82 a.C.
Rev. Uma Vitória conduzindo uma quadriga puxada por cavalos
(Ref. Crawford-364/1b, Sydenham-742)


Denário cunhado em Roma no ano 47 a.C.
Rev. Aurora conduzindo  a quadriga do Sol puxada por cavalos
(Ref. Crawford-453/1c, Sydenham-959, BMC-4009)


Augusto-denário cunhado em Roma no ano 18 a.C,
Rev. Quadriga conduzida por uma Vitória puxada por cavalos
(Ref. RIC I-128ª, RSC-274, BMCRE-392, BMCRR Rome-4429)


Áureo cunhado em Roma no ano 55 d.C.
Rev. Estátuas de Augusto e Cláudio numa quadriga puxada por elefantes
(Rev. RIC-6, BMC-7, Sear5-2042)


Marco Aurélio-Sestércio cunhado em Roma em 180
Rev. Quadriga com a estátua de Marco Aurélio puxada por elefantes “com cornacas”
(Ref. RIC- 661, Cohen-95, BMC-396, RCV-5985)


Constantino I, 306-337
AE 4-póstumo, cunhado em Alexandria, 337-340.
Rev. Constantino numa quadriga puxada por cavalos a subir ao céu,
com os braços estendidos, para alcançar  a mão de Deus,  
(Ref. RIC-8-12ª, Choen-760, LRBC-1374)

Que pretendia dizer Plínio quando nos fala de Bigati (Hist. Nat. XXXIII, 3, 44) ?
Se nos referimos simplesmente à numismática, é claro que este termo qualifica os denários da República Romana (com um peso de 1/84 da libra romana=3 escrúpulos) com Diana no reverso conduzindo uma biga e, que mais tarde foi substituída por uma Vitória.

É neste sentido puramente tipológico, que pessoalmente utilizo aqui este termo ainda hoje muito utilizado,  para qualificar este tipo de moedas.
Note-se que este tipo de denário com a "biga", apareceu antes de cessar a cunhagem dos quinários e sestércios de prata por cerca do ano 217 a.C., e, desapareceu completamente em 64 a.C. .

Se tivermos como objetivo a cronologia das emissões, esta não foi a prmeira tipologia a ser utilizada aquando da criação do denário (211 a.C.).

Estes denários com a biga, são portanto emissões posteriores ao tipo primitivo que representa  os Dióscuros a cavalo galopando para a direita, com uma lança na mão, os mantos flutuando e, bonés cônicos encimados por duas estrelas emblemáticas: a estrela da manhã e a estrela da noite.

Etimilogicamente, o termo Bigati utilizado por Plínio, não nos parece bem apropriado para qualificar os primeiros denários tipo Dióscuros, simplesmente porque a tipologia do reverso e o peso são diferentes.

No entanto podemos pensar que, visto o longo período que esse tipo foi cunhado em Roma, (mais de 100 anos sempre com o mesmo reverso), originou que a popularização do termo “bugati”, começasse a fazer parte da linguagem quotidiana como uma nominação usual, empregada pelo cidadão romano, artesão, ou comerciante.

Quando Plínio (História Nattural, XXXIII, 3, 44), ou Tive Live (XXII, 52, 54 e 58) também empregaram a palavra “quadrigati” para classificar os outros denários, a explicação surpreende-nos! Mas, vamos continuar com a opinião destes autores para compreendermos melhor.

É óbvio  que, quando estes autores falam de “quadrigate” nos seus textos, eles fazem referência aos denários romanos que têm por tipo no reverso, uma divindade conduzindo uma quadriga que sustituiu as “bigatis “emitidas anteriormente.

Lembramos que, de acordo com  as observações feitas na época por ambos os autores latinos, eles consideraram erradamente que o tipo “quadrigati”,  é o mais antigo dos denários emitidos pela oficina monetária de Roma!

A confusão de Plínio, também vem do fato que foi Júpiter o primeiro a aparecer neste tipo de denários com carro, (como no didracma romano-campaniano).
Mais tarde, todos os deuses do Olimpo vão ser  esculpidos nestes denários: Saturno, Marte, Apolo, Palas, Hércules e outros.
Este tipo de denário também vai desaparecer no ano 64 a. C..

Este assunto ainda se torma mais complicado, por Plínio também empregar a palavra “quadrigati”, para designar o didracma  de prata romano-campaniano, com uma representação janiforme dos dióscuros Castor e Polux no anverso e, no reverso uma quadriga ao galope conduzida por Júpiter.

Portanto estes dois tipos de moeda são muito diferentes?
Isto só pode ser explicado pelo fato que o valor do didracma foi alinhado com o valor do denário “quadrigati ou bigati” de Plínio.
Com efeito, estes didracmas de seis  scripulum ou scripolum, ainda circulavam quando o denário romano com um peso de 4 scrupulum ainda servia de moeda de referência.
( 1 scrupulum = 1/24 parte da onça ou seja 1,137 gr.).

O valor fiduciário do didracma foi então oficialmente reduzido para ser equivalente ao do denário, ser ter em conta a diferença do peso.

MGeada

Bibliografia

Andrew Burnett, tradution de George Depeyrot, La Numismatique Romaine de la République au Haut-Empire, Paris, Errance, 1991.
Babelon, Ernest; Description historique des monnaies de la République Romaine- maio, 2010.
Harlan,Michael ; Romain Republican Moneyers 63 a.C-49a.C. -1995.
Jea-Michel David; Nouvele histoire de l’antiquité, tome 7, République romaine, 26 maio 2000.
Michael Crawford ; Romaim imperial coinage, t, II, Cambridge ,1974.
Michel Christol, Daniel Nony ; Rome et son empire, des origines aux invasions barbares.
George Depeyrot, La Monnaie Romaine : 211 a.C.-476 d.C., Éditions Errance, 2006.
Sydenham, Edward A. The Coinage of the Republic, 1952

http://www.tesorillo.com/roma/1tipos.htm#scripulum