quarta-feira, 26 de julho de 2017

Júpiter o deus mais importante do panteão greco-romano, (também conhecido por pai dos deuses).

Algumas imagens  dos deuses e  deusas  no numerário da “República Romana”.

Apresentamos a seguir (por ordem alfabética), uma galeria de retratos dessas divindades, tal como os romanos as representaram nas suas moedas.
 
(Excepto menção, todas as datas são antes de Cristo (antes da nossa era)

Apolo

Filho de Júpiter e Latona, irmão gêmeo de Diana, Apolo ou Febo, nasceu na ilha flutuante de Delos, que, a partir desse momento se torna estável e imóvel, pela vontade do jovem deus ou um  favor de Netuno.
Desde a sua  adolescência , ele tomou  a sua aljava e flechas terríveis, e vingou a morte da sua mãe matando Píton, pelo qual ela tinha sido tão obstinamente perseguida.
A cobra foi morta, e a sua pele serviu para cobrir o tripé sobre o qual a secerdotisa Delfos Pítia (ou Pitonisa) se sentava para fazer os seus oráculos.

P.Clodius  M. F. Turrinus- Denário cunhado em Roma no ano 42
Anv. Apolo
(Ref. Crawford 494/23, Sydenham-1117)

Apolo Velogis


L. Caesius- Denário cunhado em Roma, 112-111
Anv. Apolo Velogis
(Ref. Crawford- 298/1,  RBW-1140)

C. Licinius L. F. Macer-Denário cunhado em Roma no ano 84
Anv. Apolo Vingador
(Ref. Crawford-354/1, Sidenham-732)

Baco (ou Dionísio)

Filho de Júpiter e Sêmele, princesa de Tebas, filha de Cadmo.
Juno sempre com ciúmes e querendo destruir tanto a mãe como o feto que estava para nascer, foi ver a princesa disfarçado em Beroe sua ama, e aconselhou-a a exigir de Júpiter que este se apresentasse perante ela todo aparatado da sua glória.
Semêle seguiu esse conselho desleal. Após alguma hesitação, Júpiter cedeu às exigengências da mulher que amava e, apareceu com todo o seu explendor, no meio de relâmpagos e trovões.
O palácio incendiou-se e Semêle  pereceu no meio das chamas.
No entanto, Juno enganou-se nas suas expectativas, porque Júpiter pediu a Vulcano para retirar Baco do fogo. Macris filha de Aristeu recebeu a crianças nos seus braços e deu-a a Júpiter, que a meteu na sua coxa terminando ali a sua gestão.

Q Titus- Denário cunhado em Roma no ano 90
Anv. Baco Laureado à direita
(Ref. Crawford-341/2, Sydenham-692)

Ceres

Filha  de Saturno e Ops (deusa da fertilidade), ou de Vesta ou Cibele, ensinou aos homens a arte de cultivar o solo, semear e a colheita do trigo para fazer pão, o que faz dela a deusa da agricultura.
Júpiter, seu irmão, apaixonado pela sua beleza teve com ela Perséfone (ou Proserpine). Também foi amada por Netuno e, para escapar à sua perseguição, transformou-se numa jumenta. O deus apercebeu-se e transformou-se num cavalo. Os seus amores com Netuno fizeram dela mãe do cavalo Árion.

Com a vergonha da violêcia que lhe fez subir Netuno, Ceres retirou-se para uma caverna onde permaneceu tanto tempo, que o mundo estava em perigo de morrer de fome, porque durante a sua ausência, a terra deixou de produzir.
Finalmente Pã, que se encontrava caçando na Arcádia, descobriu a sua aposentaria e informou Júpiter que, através da intervenção das Parcas, acalmou-a e assim ela voltou para mundo que estava privado dos seus benefícios.   

Perído das guerras civis-Denário cunhado em Roma em 49-30
Anv. Ceres com coroa de espigas à direita
(Ref. Crawford- 467/1b, Sydenham-1024)

Diana

Diana ou Artemis, filha de Latona e de Júpiter, irmã gêmea de Apolo, nasceu em Delfos alguns instantes antes do seu irmão.
Testemunha das dores do parto de Latona, ela concebeu tal aversão ao casamento, que  Diana pediu e obteve de Júpiter, a graça de guardar uma virgindade perpétua, assim como a sua irmã Minerva.

Foi por esta razão que as duas deusas receberam do oráculo de Apolo, o nome de virgens brancas. Júpiter armou-a pessoalmente com um arco e flechas, fez dela a rainha dos bosques e deu-lhe como cortejo, sessenta ninfas conhecidas por Oceânides e, mais vinte conhecidas por Asias às quais ela exigia uma castidade inviolável.

Com este numeroso e gracioso cortejo, o seu passatempo favorito era a caça.
Todas as ninfas eram grandes e belas, mas a deusa superava-as na altura e beleza.
Tal com seu irmão Apolo ela tem diferentes nomes. Na terra Diana ou Artemis: no céu, Lua ou Febe: no inferno, Hécate.
Tinha ainda muitos sobrenomes  segundo as qualidades que lhe atribuiam, as regiões que ela favorecia, e os templos que a honravam.    

C. Hosidius C. F. Geta-Denário cerrado cunhado em Roma no ano 64
Anv. Diana drapeada à direita, 
(Rev. Crawford-407/1, Sydenham-904)

Deuses Penates (ou Domésticos)

Nas suas migrações, os povos antigos nunca esqueciam de levar com eles não só o culto do seu país de origem, mas também as estátuas antigas venerados pelos seus antepassados.
Esses ídolos eram como uma espécie de talismã nos novos estados ou novas cidades, e eram chamados deuses Penates ou Domésticos.

As grandes e pequenas povoações e simples casas tinham os seus, assim como as grandes cidades e estados.
Tróia teve como Penati (o Paládio ou ((Palladium)), uma  estátua em madeira de Minerva, protetora e guardiã do seu destino, Roma também teve os seus Penates.  

A adoração desses deuses é de origem Frígia e Samotrácia. Tarquínio Prisco (ou o Antigo), educado na religião dos Cabiros, construiu um templo único a três divindades samotrácias, mais tarde chamadas de Penates dos Romanos.

As famílias eram livres de escolherem os seus Penates entre os deuses ou grandes homens divinizados.
É importante não confundir estes deuses, com o deus Lares que se transmitiam como legado de pai para filho.  Em todas as casas se reservava um espaço para eles; um altar e por vezes um santuário.

C. Sulpicius C. F. Galba-Denário serrado cunhado em Roma no ano 106
Anv. Deuses Penates laureados à esquerda
(Ref. Crawford-312/1, Sydenham- 572)

Hércules

Homero dá o nome de herói, aos homens que se distinguiram pela sua força e coragem nos seus feitos ou acções.
Hesíodo designa por herói os filhos de um deus e uma mortal. O tipo de Hércules corresponde a estas duas versões.

A lenda de Hércules com variações, amplificatrices, encontra-se em quase todos os povos da antiguidade: Egito, Creta, na Fenícia, Índia e mesmo na Gália.
Cicero dá-nos seis heróis com o nome de Hércules. Varrão (Marco Terêncio), fala em quarenta e três.
De todos eles, o mais conhecido é o Hércules venerado pelos gregos e romanos e, ao  qual se dedicam quase todos os monumentos, é incontestavelmente o Hércules de Tebas, filho de Júpiter (Zeus) e da mortal Alcmena, (na mitologia grega) esposa de Anfitrião.

Tebano por nascimento, Hércules é no entanto originário de Argos. Por Alcmena e Anfitrião pertencia à família de Perseu, e pelo nome do seu avô paterno Alceu Hércules é muitas vezes citado como um dos Alcides.
Hércules (em grego Heracles, um apelido que significa glória de Hera), o seu nome verdadeiro era Alceu ou Alcides.


P. Cornelius Lentulus Marcelino-Denário cunhado em Roma no ano 100
Anv. Hércules ainda jovem com a cabeça descoberta
(Após ter executado os doze trabalhos , entre eles matar o leão de Nemeia ; Hércules aparece sempre com a pele do leão na cabeça)
(Ref. Crawford-329/1ª, Sydenham-604)

Honos e Virtus (Honra e Virtude))

A Honra ou a Glória militar foi em Roma objecto de veneração.
Em sua honra foram construídos templos, onde foram adorados separadamente ou juntos com o Valor (Virtude).
O  mais antigo desses templos parece ser o que foi construído em frente da porta Colina, num local onde terá sido encontrada uma placa de chumbo gravada com a palavra HONORIS.
O mais conhecido foi dedicado no ano 233, por Q. Fabius Maximus Verrocosus, perto da Porta Capena. M. Marcelus (general e político romano) ampliou o templo e dotou-o de obras-primas de arte grega, subtraídas a Siracusa. 

O general prometeu consagrar um templo à Honra e Virtus mas, sob a influência dos pontífices que não queriam as duas divindades reunidas no mesmo santuário, ele anexou-lhe outro para a Valor.
Cipião Emiliano (Publius cornelius Scipio Aemilianus), após a queda de Numância no ano 133, construiu um templo só para Virtus.
Marius com o fruto do saque sobre os  Cimbros e Teutões no ano 101, construiu outro no Capitólio para Honos e Virtus reunidos.
Outro santuário consagrado às duas divindades foi construído no teatro de Pompeio e, outro fora de Roma em Pouzzoles (hoje Puzzuoli-Itália).
Numerosas inscrições atestam que o seu culto espalhou-se por todo o mundo romano.
As divindades eram festejadas ao mesmo tempo. O imperador Augusto fixou a  data do festival para o dia 29 de maio de cada ano.

Q. Fufius Calenus e Mucius Cordus- Denário cerrado cunhado em Roma no ano 68
Anv. Honos laureada e Virtus com capacete
(Ref. Crawford-403/1, Sydenham-797)

Jano

Jano; divindade Romana sobre a qual há muitas divergências entre os mitologistas.
Alguns dizem ser de origem Cita, (povo antigo iraniano de pastores nómadas equestres).
Outros, que era de origem Perrébia, (um povo grego que viveu no norte da Tessália (região do centro da Grécia Antiga), ou  ser um dos  filhos de Apolo e de Creúsa, filha de Priam Erecteu, (rei lendário da cidade estado de Atenas) 

Quando adulto, Jano equipou uma frota, acostou na Itália onde fez numerosas conquistas e deu o seu nome a uma cidade: “Janicule”. (Todas estas origens são confusas e obcuras).
Todavia a lenda fá-lo reinar desde jovem no Lácio (Latium).
Saturno quando foi expulso do céu, refugiou-se neste país onde foi recebido por Jano que o associou ao poder real.

Como agradecimento, da sua hospitalidade, Saturno ofereceu a Jano o dom de uma dupla ciência. Este poder permitia dominar a ciência do passado e do futuro, daí a representação de Jano com dois rostos orientados em sentidos opostos.

Por ser representado com dois rostos, Jano também era considerado o deus das portas, porque também há duas  possibilidades de abrir uma porta.
É por isso que as portas do templo estavam sempre abertas em tempo de guerra, para que Jano pudesse sair em socorro dos romanos.
Entre o reinado de Numa Pompílio (segundo rei lendário de Roma, 715-672), e o reinado de Augusto 27 a. C.- 14 d.C., as portas só foram fechadas duas vezes e, apenas nove em mil anos.

Anónimo-Didracma cunhado em Roma em 225-216
Anv. Cabeças opostas de Jano
(Rev. Crawford-29/3, Sydenham-64, RBW-63)

Juno 

Juno era filha de Saturno e Reia, e  irmã de Júpiter, Netuno, Plutão, Ceres e Vesta.
Segundo Homer, foi criada com Tétis e Océan ou Océanos. Outros dizem que foram as Horas que a alimentaram e educaram. (Em latim Horai, constituiam na mitologia grega um grupo de deusas que presidiam às estações do ano).

Juno casou com Júpiter seu irmão gêmeo e neste caso rainha dos deuses. O seu casamento foi realizado em Creta , no território dos Gnossianos.
Para tornar o casamento mais solene, Júpiter ordenou a Mercúrio para convidar todos os deuses, todos os homens, todos os animais.
Todos compareceram excepto Quelone, uma ninfa que não temeu a cólera de Júpiter, riu-se deste casamento, e o rei dos deuses transformou-a em tartaruga.

Júpiter e Juno não viviam em harmonia; as discórdias eram frequentes entre eles. Juno era batida e maltratada pelo esposo, por causa do seu humor impertinente. 
Homer, diz que uma vez Júpiter suspendeu-a com uma corrente de ouro e, com uma bigorna atada em cada pé entre o céu e a terra. Seu filho Vulcano (o deus ferreiro) ao tentar libertar a mãe, levou um pontapé do pai que o atirou do céu para a terra. 

L. Thorius Balbus-Denário cunhado em Roma no ano 105
Anv. Juno com uma pele de cabra na cabeça
(Ref. Crawford-316/1, Sydenham-598)

Júpiter

Dizem os poetas que Júpiter é pai e rei dos deuses e dos homens. Ele reinou no Olimpo e, com um aceno de cabeça podia sacudir o universo.
Era filho de Reia e do irmão e esposo Cronos que lhe deu seis filhos (os Crónidas): três mulheres, Vesta, Ceres e Juno, e três homes, Plutão, Netuno e Júpiter.
Cronos que tinha medo de ser destronado por causa da maldição de um  oráculo, engolia os seus filhos ao nascerem.
Já tinha devorado Vesta (a filha mais velha), Céres, Plutão e Netuno, quando Reia grávida para salvar o filho, refugiou-se em Creta numa caverna dos montes Dícti, onde ela deu ao mundo os gémeos Júpiter e Juno.

Juno foi devorada por Crosnos, no entanto para enganar o marido, Reia fê-lo engolir uma pedra enrolada num pano pensando que era Júpiter.
Para salvar o filho, Reia confiou-o a Adrasteia e Ida, duas ninfas de Creta, também conhecidas por Melissas que o nutriram com o leite da cabra Almateia e mel.

Segundo Pausânias, confiou a sua infância aos Dáctilos que ele identifica como os  cinco irmãos Curetes: Heracles de Ida, Peoneu, Epímedes, Lásio e Idas.
Quando Júpiter cresceu, resolveu vingar-se do seu pai, solicitando para esse efeito o apoio de Prudência (filha do titã Oceano) que ofereceu a Cronos uma poção mágica, que o fez vomitar a pedra e os filhos que tinha devorado.

Anónimo-Vitoriado cunhado em Roma 211-208
Anv. Júpiter laureado à direita
(Ref. Crawford-93/1c, Sydenham-83 var.

Mercúrio

Mercúrio: filho de Júpiter e de Maia (filha de Atlas), era o Hermes dos gregos ou seja intérprete ou mensageiro. O seu nome latino deriva da palavra Merces, mercadoria.
Mensageiro dos deuses sobretudo  de Júpiter, ele servia-os com um zelo infatigável, sem escrúpulos  mesmo em tarefas desonestas, participava  como leal servidor em todos os casos.
Vemo-lo ocupar-se da paz e da guerra, das discórdias, dos amores dos deuses do interior do Olimpo e, dos interesses gerais do mundo; no céu, na terra, no inferno.

Também se encarregava de fornecer e servir a ambrosia (ou ambrósia) à mesa dos imortais. Presidia aos jogos, assembleias, ouvia alocuções públicas aos quais ele respondia por sua iniciativa ou, segundo as ordens que tinha recebido.
(Ambrosia: também chamada Manjar dos Deuses do Olimpo, era um doce com divinal sabor, que teria poder de cura e, se um mortal comum a comesse morria.)

Segundo a mitologia, era Mercúrio com a sua varinha divina (ou caduceu),  que levava a alma dos mortos para o inferno, e por vezes as trazia novamente à terra.
Não se podia morrer, antes de Mercúrio quebrar inteiramente os laços que unem a alma e o corpo.

Deus da eloquência e da arte de falar bem, também era o deus dos comerciantes viajantes, carteiristas, e dos homens desonestos que utilizavam artimanhas para roubar os outros.
Plenipotenciário dos deuses, assistia a tratados de aliança que aprovava  ou não: também não era estrangeiro às declarações de guerra entre cidades e povos.
Foi a ele que os deuses confiaram a delicada tarefa de levar perante o pastor Paris, as três deusas rivais do concurso da beleza.

C. Mamillius Limetanus-Denário cerrado cunhado em Roma  no ano 82
Anv. Mercúrio drapeado com um pétaso alado na cabeça
(tipo de chapéu de abas largas, usado pelos gregos e romanos antigos)
(Ref. crawford-362/1a, Sydenham-741)

Minerva

Minerva, filha de Júpiter, era a deusa da tranquilidade, da guerra, da ciência e das artes.
Júpiter depois de comer a Prudência, sentindo uma grande dor na cabeça foi consultar Vulcano que com um golpe de machada lhe abriu a cabeça.
Do seu cérebro saíu Minerva totalmente armada e,  em idade que lhe permitiu secorrer o seu pai na Guerra dos Gigantes onde ela se distinguiu pela sua bravura.

Uma das características mais famosas da história de Minerva, foi a sua disputa com Netuno, para dar o seu nome à cidade de Atenas.
Os doze grandes deuses escolhidos para árbitos, decidiram que, aquele que produzisse a coisa mais útil para a cidade, dava-lhe  o seu nome.
Netuno ao espetar  o seu tridente na terra fez sair um cavalo: Minerva fez sair uma oliveira que lhe garantiu a vitória.

P. Servilius M. F. Rullus-Denário cunhado em Roma no ano 100
Anv. Minerva drapeada com capacete à esquerda
Ref. Crawford- 328/1, Sydenham-601b)

Netuno

Filho de Saturno e de Reia, era irmão de Júpiter e Plutão. Reia logo que deu à luz Netuno, escondeu-o num curral em Arcádia, e fez acreditar Saturno que tinha tido um potro que lhe deu para ele  comer.
Na divisão que os três irmãos fizeram do universo, a ele coube-lhe o mar, as ilhas e todas todas as áreas costeiras.

Governou o seu Império com uma calma impertubável, do fundo do mar onde se encontra a sua agradável morada, ele sente tudo o que acontece com as ondas que os fortes ventos espalham precipitadamente, e se abatem na costa causando grandes naufrágios injustos.

Netuno aparece,  e com uma serenidade nobre faz entrar as águas no mar, abre canais através dos baixios, com o seu tridente soleva navios encalhados nas rochas ou enterrados na areia, restabelece com uma palavra toda a desordem das tempestades.

Quando o seu irmão Júpiter que ele sempre serviu fielmente derrotou os Titãs seus terríveis concorrentes, Netuno guardou-os fechados no inferno, para os impedir de tentarem novos empreendimentos e, manteve-os fechados por trás dum muro instranponível formado por suas ondas e rochas


L. Lucretius Trio-Denário cunhado em Roma no ano 76
Anv. Netuno laureado à direita e tridente
(Ref. Crawford-390/2, Sydenham-784)

Roma

Roma é uma divindade feminina que personifica a cidade de Roma e o poder romano.
Em alguns casos, não é fácil saber se estamos a lidar com a divindade ou, com uma simples personificação de caracter alegórico.

Roma apareceu em moedas, a partir do III século a.C..Talvez nessa ocasião, ela fosse apenas uma alegoria comum, ainda  não deificada.  
O primeiro templo consagrado à deusa Roma, foi edificado em Esmirna (também conhecida noutras línguas por Smyrna  e Smirne) por volta do ano 191. Segundo Tive Live , em Alabanda (na Cária), onde não só lhe dedicaram um templo, como também realizavam jogos anuais em sua honra.

No período imperial, o culto de Roma era praticado sobretudo nas províncias romanas; começando no Oriente, onde foi mais fácil introduzir na tradição das monárquias helenísticas.
O culto participou na exaltação do poder romano, e à fidelização das populações locais.
Ele é um elemento do culto imperial: o imperador Augusto, autorizou a construção de templos ou altares consagrados a Roma, em assossiação com Júlo César ou, sómente ele.

No entanto o imperador Adriano mandou construir em Vélia , entre o Fórum Romano e o Coliseu, o templo de Roma e Vénus.
É um templo duplo com quatro colunas, constituído com duas (cellae) celas ecostadas uma à outra, das quais uma é dedicada à deusa Roma e outra a Vénus, associando o mito das origens da cidade ao seu poder.

Q. Lutatius Cerco-Denário cunhado em Roma, cerca de 109-108
Anv. Deusa Roma com capacete Coríntio com crista, ornamentado com estrelas e penas
(Rev. Crawford-305/1, Sydenham-559)

A Saúde

Sabemos que a Saúde (em latim salus) filha de Esculápio (deus da medicina e da cura ) e de Minerva, era venerada pelos gregos como uma das mais poderosas divindades.
Os romanos adotaram o culto desta deusa que veneravam com o nome de Salas à qual consagraram muitos templo em Roma e  instituiram um colégio de sacerdotes para a servir.

Só esses sacerdotes tinham o direito de ver a estátua da deusa e, alegavam ser os únicos a ter o direito de pedir aos deuses, a saúde para os  particulares e a salvação do Estado, porque o Império Romano considerado um grande corpo, foi colocado sob a proteção desta divindade.

A deusa Saúde era representada sob a figura de uma jovem rapariga, (por vezes sentada num trono enfeitado com ervas medicinais, com uma patera na mão direita e uma serpente na esquerda).
Ao lado dela havia um altar, em torno do qual havia uma serpente enrolada de modo que a sua cabeça ficasse acima do altar.


D. Silanus-Denário cunhado em Roma no ano 91
Anv. A Saúde (também conhecida por Hígia) com diadema à direita
(Ref. Crawford-337/2f, Sydenham-645c)

Saturno 

Filho mais velho de Urano e de Vesta, ou do Céu e da Terra, Saturno após ter destronado o seu pai, obtém do seu irmão mais velho "Trintão", o favor de reinar em seu lugar.
Todavia Trintão impôs uma condição: Saturno tinha que matar e comer todos os seus descendentes de sexo masculino, afim que a susseção do trono ficasse reservada aos próprios filhos de Trintão.

Saturno casou com Reia com a qual tiveram muitos filhos que ele devorou avidamente, como tinha combinado com o seu irmão.
Sabendo que um dia ele ia ser destronado por um dos seus filhos, ele exigiu da sua esposa que lhe entregasse todos os récem-nascidos.

No entanto, Reia conseguiu salvar Júpiter que quando adulto, entrou em guerra com o  pai que derrotou e, depois de o tratar como Trintão tinha sido tratado pelos seus filhos, expulsou-o do Céu e assim a dinastia de Saturno  continuou ao detrimento de Trintão. 

Saturno teve com Reia três filhos que ela consegui salvar: Júpiter, Netuno, Plutão e uma filha, Juno irmã gêmea e esposa de Júpiter. Alguns mitologistas ainda adicionam Vesta deusa do fogo e Ceres deusa das colheitas.
Saturno teve ainda muitos filhos com outras mulheres; o centauro Quirom, Filira etc,.

Diz-se que Saturno destronado por seu filhoJúpiter e reduzido a um simples mortal, refugiou-se no Lácio (Itália), onde reuniu todos os homens ferozes dispersos nas montanhas e deu-lhes leis.
O seu reinado foi a idade de ouro: os seus indivíduos agora pacíficos, foram governados com suavidade.

A igualdade das condições foi restabelecida: nenhum homem estava ao serviço de outro; ninguém tinha nada que lhe pertencesse a ele próprio; todas as coisas eram comuns, como se todos tivessem o mesmo legado.
Era para lembrar esta época feliz que em Roma eram celebadas as Saturnais; um festival da Roma Antiga em honra do deus Saturno que ocorria no dia 15 do mês de dezembro no Calendário Juliano.

Estas festas cuja instituição remonta no passado muito além  da fundação de Roma, consistia principalmente a representar a igualdade entre os homens. O imperador Augusto ordenou que elas fossem celebradas durante três dias, mais tarde, o imperador Calígula acrescentou mais um dia.

A festa começava com um sacrifício no templo do deus Saturno no Fórum Romano, seguida de um banquete público, e troca de presentes em privado.
A festividade continuava numa atmosfera carnavalesca, que derrubava as normas sociais romanas.
Os jogos eram permitidos e os senhores ofereciam um serviço de mesa aos seus escravos.
O poeta Catulo (em latim Gaius Valerius Catalus. Verona 80 ou 84-57 ou 54 d.C., chamava o festival  de "o melhor dos dias".

L. Memmius-Denário cerrado cunhado em Roma , cerca do ano 106
Anv. Saturno cabeça laureada à esquerda
(Ref. Crawford-313/1b-Sydenham-574)   

O Sol

O Sol (ou Hélio), filho dos titãs Hiperião (ou Hiperion) e de Teia, foi afogado no rio Herídano, pelos Titãs seus tios.
Teia que procurou ao londo do rio o corpo do seu filho,adormrceu de cansaço e viu num sonho, Helena (irmã de Castor e Polux), que lhe disse para não chorar a sua morte, porque ele foi elevado à categoria de deus e, o que antes no céu se chamava fogo sagrado, passaria a chamar-se Hélio (em latim Helius).

Os gregos e romanos chamavam-lhe frequentamente Febo ou Apolo, no entanto alguns poetas fazem geralmente uma distinção entre Apolo e o Sol e, reconhecem nele duas divindades diferentes.
Homero, na "Adultera" de Marte e Vénus, diz que Apolo assistiu a esta cena como ignorantee, o facto é que o Sol informado de toda a intriga, informou Vulcano.

Logo após o dilúvio, Hélio apaixonou-se por Rode, filha de Posidon eVénus, ou Poseidon, e Anfitrite ninfa da ilha à qual ele deu o seu nome.
Ele teve com esta ninfa sete filhas; as Helíadas que se dividiram entre elas a ilha de Rodes.
Esta ilha foi consagrada ao Sol e, os seus habitantes que se diziam descendentes das Helíadas, dedicavam-se com muita devoção à sua adoração.

O seu número e nomes variam segundo os autores: podemos citar Astriz, Dioxipe, Égle, Egerie, Hélia, Mérope e Febe ou Foibe.
O deus Sol também amou e casou com Perseis (ou Persa) filha de Tetis e Oceano com a qual tiveram quatro filhos. Eetes (que mais tarde foi rei da Cólquida, Persie, Circe (na mitologia grega uma feiticeira especialista em venenos) e Pasifae.

O culto do Sol foi espalhou-se por todo o mundo antigo. Os gregos adoravam e juravam, em nome deste astro, uma fidelidade total nos seus compromissos.
Numa montanha perto de Corinto, havia  vários altares dedicados ao Sol e, depois das Guerras Persas, os habitantes de Trezena  (cidade grega), dedicaram um altar a Hélio Libertador.
Entre os egípcios o Sol era a imagem da divindade e, foi-lhe dedicada uma cidade inteira "Heliopolis".

Man. Aquilillius-Denário cunhado em Roma, em 109-108
Anv.O Sol com a cabeça radiada à direita
(Ref. Crwford-303/1)

Vénus

É uma das divindades mais célebres da antiguidade: é ela que presidia os prazeres do amor.
Sobre a sua origem assim como outros deuses ou deusas, os poetas não estão de acordo.
Inicialmente eram duas Vénus; uma nasceu da espuma do mar aquecida co o sangue de Caelus (ou coelus), que se misturou quando Saturno levantou a mão (sacrilégio) sobre o seu pai.

Diz-se que desta mistura, nasceu a deusa perto da ilha de Chipre, na nácar de uma concha.
Homer, afirma  que foi uma libelinha  que a touxe para a ilha, e entregou-a às Horas que se comprometeram criá-la.
Esta deusa assim concebida seria a verdadeira Vénus, Afrodite dos gregos, que significa nascer da espuma (em grego Aphros).

Por vezes foi dada a esta divindade uma origem menos estranha, ao dizerem que era filha de Júpiter e Dione, filha de Netuno e, portanto seu primo.
Qualquer que seja a origem que os diferentes poetas deram a Vénus e, embora muitas vezes o mesmo poeta fale da deusa de forma diferente,eles sempre honrraram a mesma Vénus celestial e marinha, deusa da beleza e do prazer, mãe dos amores, das graças, dos jogos e dos risos.

Foi à mesma Vénus, que eles atribuiram todas as fábulas que criaram sobre esta divindade , que foi dada por Júpiter  como esposa a Vulcano. Suas brilhantes galhardias com Marte fizeram dela a chacota dos deuses.
Ela amou com muito ardor Adónis, foi mãe de Heros e Cúpido; amor do piedoso Eneias e de grande número de mortais, porque as suas aventuras com habitantes do céu, da terra e mar foram incalculáveis.

Foram erguidos em sua honra templos na ilha de Chipre na cidade de  Pafos, na ilha Citera etc,, daí os nomes de Cypris, Paphia e Cythéree.
Também era conhecida por Dione como sua mãe Anadiômenaque que significa "sair das águas"etc,.

Vénus tinha um cinto onde estavam fechadas as graças, o charme, o sorriso cativante, palavras doces o suspiro mais presuasivo e a eloquência dos olhos.
Após a sua aventura com Marte, a deusa refugiou-se em primeiro na idade de Pafos, (Chipre) e depois escondeu-se na floresta Cáucaso.
Todos os deuses a procuram durante muito tempo sem sucesso mas, uma velha que indicou-lhes o local da sua aposentaria, Vénus puniu-a trasformou-a numa rocha.

Nada é mais famoso do que a vitória de Vénus no julgamento de Paris,  contra Juno e Palas.
Embora as suas rivais tivessem exigido que antes de entrar no tribulal ela retirasse o seu temível cinto.

Ela expressou perpétualmente a sua gratidão a Paris, a quem ela arranjou casamento coma Bela Helena, aos troianosque sempre protegeu contra os gregos e, até mesmo de Juno.

Júlio César-Denário cunhado em Roma, em 46-45
Anv. Vénus com diadema,lituo e cetro ao ombro
Ref. Sydenham-1015/c 14, Sear-59)

Vitória

Era na mitologia romana a deusa da Vitória
Os gregos faziam dela uma divindade poderosa.
Era filha de Estige (um dos rios do inferno) e de Palas, uma das Titãs da segunda geração.

A deusa Vitória tinha muitos templos na Grécia, Itália e Roma. É quase sempre representada com asas, segurando numa das mãos uma coroa de louro, e na poutra uma palma.
Por vezes também aparece em cima de um globo.
Quando os antigos queriam designar uma batalha naval, a deusa é representada  em pé na proa de um navio.

Diversos templos foram erguidos para homenageá-la e, um grande culto subsistiu por centenas de anos. adoramdo-a.
Quando no ano 382 d.C., a sua última estátua em Roma foi retirada, houve muita revoltas.
A sua adoração era muito frequente entre os generais, que lhe agradeciam pela vitória alcançada nas suas guerras.

L. Valeruis Flacus-Denário cumhado em Roma, em 108-107
Anv. Vitória com as asas, carrapito, diadema e brincos
(Ref. Crawford-306/1, Sydenham-565

MGeada

Bibliografia

Florence Noiville e Yasmine Gateau; La Mitologie Romaine , fevereiro 2011
Heródoto;  Histórias, Livro III, Tália, 115
Heródoto;  Histórias , livro VIII, Urânia 41
Kuri; Mario da Gama , Dicionário de Mitologia Grega e Romana , Editora, Zahar     
Pausânias, Descrição da Grécia, 2, 30 ,9.
Silvério Benedito; Dicionário Breve de Mitologia Grega e Romana, setembro 2 000, edição em português
Sousa; Manuel Félix Geada- História dos Monumentos Romanos  Contada Através das Moedas
Kuri; Mario da Gama , Dicionário de Mitologia Grega e Romana , Editora, Zahar     
Thomas Bulfinch; O Livro de Ouro da Mitologia, História de deuses e Heróis, edição em português.
Vikipédia
www.cgb.fr/boutique,romaines.html

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Barcos na numismática romana

Se o anverso das moedas romanas nos dão uma verdadeira galeria de retratos realistas de imperadores e imperatrizes, os “reversos” dessas moedas são uma riqueza de informações sobre múltiplos eventos, crenças, monumentos, guerras, vitórias etc,.

Verdadeiro instrumento de propaganda; mais eficaz que qualquer discurso, ou reclame, como naquela época não havia jornais nem audiovisual, porque não se servir da moeda que utilizavam todos os dias....

Talvez seja esta, uma das razões que originaram a minha paixão por este tipo de moedas. Todos estes testemunhos da vida dos romanos.

Segue-se uma pequena demonstração com um tema que procurei nessas moedas da Répública e império Romano, representando barcos ou parte destes.

Vamos começar com esta onça da República Romana representando a proa de um navio.


República Romana
Onça em bronze cunhada em 217-215 a. C.
Anv. Cabeça de Minerva à esquerda , com capacete ático, 1 glóbulo por trás da cabeça,
Rev. Proa de barco e  glóbulo,  ROMA
(Ref. BMC/RR-88, pl.11/5, CRR- 86 (2) pl. 14, RCV-615, MRR-108)

República romana


M. Vargunteius (Vargunteia)-2 Semisses cunhados em Roma em 68 a.C.
Anv. Saturno laureado à direita , S=Semisse
Rev. proa de Galera, M VARG
(Ref. Crawford-272/2, Sydenham-508)

Magnífica galera neste denário de Claudius Macer.

4
Claudius Macer-Denário cunhado em Cartago em 68 a.C.
Anv. Clodius à direita, L CLODIVS MACER  SC
Rev. Galera com cinco remadores e treze remos, PRO PRAE AFRICAE
(Ref. RIC-37 var. BMC 01, C13, Hewitt-62-71, Kent-Hirmer pl.59,206)


Sexto Pompeio e Q. Nasidius-Denário cunhado na Sicília em 43-48 a.C.
Anv. Pompeio à esquerda, tridente, e golfinho, NEPTVNI
Rev. Batalha naval entre dois barcos de cada lado, Q. NASIDIVS
(Ref. Crawford-483/1, Sydenham-1351)


Otávio e Júlio César -Duponduo cunhado em Viena, cerca de 36 a. C.
Anv. Cabeças opostas de Otávio à esq. e Júlio César à dir.,
IMP CAESAR DIVI IVLI
Rev. Proa de galera,  CIV
(Ref. DLT-2943, RPC I-517)

Marco António-Denário cunhado em Patrae (Patras), 32-31 a.C.
Anv. Galera com 12 remos e 8 remadores, ANT AVG III VIR R P C
Rev. Águia legionária entre duas insígnias, LEG II (segunda legião)
(Ref. Sydenham-1216, Sear-88)

Império romano

Vespasiano-Denário cunhado em Roma, 77-78
Anv. Vespasiano laureado à esquerda,
IMP CAESAR VESPASIANVS AVG
Rev. Proa de navio,  COS, estrela com 8 raios = COS VIII, (oitavo ano do seu consulado)
(Ref. RIC-942, Sear-2290, RSC-137)

Do mesmo imperador, 1 asse com uma Vitória sobre a proa de um navio, simbolizando uma vitória marítima de Vespasiano

Vespasiano-Asse cunhado em Roma no ano 71
Anv. Vespasiano laureado à direita,
IMP CAES VESPASIAN AVG COS III
Rev. Vitória sobre a proa de um navio, VICTORIA NAVALIS S C
(Ref. RIC-503, Cohen-632, BMCRE-616)

Também existe um asse do imperador Tito com o mesmo reverso.

Tito-Asse cunhado em Roma no ano 73
Anv. Tito laureado à direita, T. CAES IMP PON TR P COS III CENS
Rev. Vitória sobre a proa de um navio simbolizando uma vitória marítima do imperador, VICTORIA NAVALIS S C
(Rev. RIC-644, BMCRE-677, Sear-2485) 


Marco Aurélio-Dupôndio cunhado em Roma em 117
Anv. Marco Aurélio com coroa radiada à direita,
M ANTONINVS AVG GERM SARM TR P XXXI
Rev. Galera com 4 remos, 4 remadores e Netuno na proa,
IMP VIII COS III  S C-FELICITATI AVG P P
(Ref. RIC-1193, Cohen-189)

Adriano-Sestércio cunhado em Roma, 132-134
Anv. Adriano laureado e drapeado à direita, ADRIANVS AVGVSTVS
Rev. Galera militar com 12 remos, 6 remadores, timoneiro, leme e 2 insígnias militares,
FELICITATI AVG COS III P P  S C
(Ref. RIC-704)

Cómodo-AE 26 cunhado em Cízico (Mísia), 166/177
Anv. Cómodo laureado e drapeado à direita,
A AVP KOMOΔOC KAICAP ΓEP NEOK
Rev. Galera com 6 remos, 5 remadores e timoneiro,
KYSI KHNΩ-N NEOK (em três linhas)
(Ref. BMC-245, Rignetti-699, Weber-5060)

Cómodo-Tetradracma cunhado em Alexandria 188-189
Anv. Busto de Cómodo laureado à direita,
M A KOMANT CEB EVCEB.
Rev. Navio mercante romano (denominado  de “Corbita”)  LKΘ
(Ref. Sear-5927, Datari-3903, Milne-2683)

«Este navio faz referência à frota africana organizada em urgência pelo imperador Cómodo em 186, quando devido à penúria egípcia faltou o trigo em Roma .
Esta frota tinha por missão procurar trigo na África. O sucesso da operação deu lugar à glorificação do imperador e da sua frota. (Visível nesta moeda)».

Excelente denário de Marco Aurélio, comemorativo do segundo centenário da batalha de Áccio, durante a guerra civil romana entre Marco António, apoiado pelos barcos  da Rainha Cleópatra VII do Egito, contra Octávio (futuro Augusto) vencedor desta batalha.

Marco Aurélio-Denário cunhado em Roma em 168
Anv. Águia legionária entre duas insígnias militares,
ANTONINVS ET VERVS AVG REST LEG VI
Rev. Galera com 8 remos, 6 remadores e timoneiro,
ANTONINVS AVG VR   III VIR R P C
(Ref. RIC III-443, BMCRE-500, RSC-83)

Moedas de Septímio Severo imperador e Caracala co-imperador com seu pai Septímio S. 25-05-198/04-02-211.

Septímio Severo-AE 24 cunhado em Corfu (ou Córcira), 193-211
Anv. Septímio laureado à direita, A K L  CEΠ C  EVHPOC PE,
Rev. Galera com vela, 5 remos, 5 remadores piloto e golfinho, KOPKV  NΩPI
(Ref. BMC-662, Evelpidis-2030 Cop 263)

Septímio Severo-8 assários cunhado em Abidos, Abido ou Abdju (Egito)
Anv. Septímio laureado e drapeado à direita, AVKAI L CEΠTIMIOC
Rev. Na galera da frente:  Atena  (minerva dos romanos) sentada com um escudo na mão direita.
Na segunda galera: Alexandre o Grande em pé na proa duma galera com uma lança na mão esquerda, dois soldados, busto de Atena na proa da galera: na torre, um soldado com uma trombeta. ΦA ΠPOKΛ ABVHNΩ N
(Ref. Trell pg. 221, fig.486-(extremamente rara, 2 exemplares conhecidos))  


Caracala-Denário cunhado em Roma 201-206
Anv. Caracala laureado e drapeado  à direita,
ANTONINVS PIVS  A V G
Rev. Galera com 8 remos, 5 remadores e leme, ADVENTvs AVGGvstorvm (O regresso dos Augustos)
(Ref. RIC -4/120, BMC-5/267, RSC-1914)

As legendas tipo adventus (= chegada) comemoram a chegada do imperador a Roma aquando do início do reinado, o regresso de uma viagem ou, de uma campanha militar.

Caracala-Denário cunhado em Roma em 202
Anv. Caracala laureado e drapeado  à direita, ANTONINVS PIVS  A V G
Rev. Galera com 8 remos, 5 remadores e leme, ADV ENT AVGVSTOR (O regresso dos Augustos)
(Ref. RIC-121, Sear-6791)

Após cinco anos de ausência, no ano 202, Septímio Severo e Caracala chegaram a Roma depois das suas vitoriosas campanhas militares, que deram origem à criação da província da Mesopotânia. 

Estes dois reversos comemoram o regresso de Septímio Severo e Caracala a Roma após a sua estadia na África.

A legenda clássica  "ADVENTVS AUGVSTVS" é frequentemente associada a uma tipologia que mostra o imperador a cavalo na atitude do “adlocutio” (discurso, que era costume o imperador fazer perante as tropas e cônsules, aquando do regresso das suas campanhas) que faz a sua entrada na “URBS”.
Neste caso, os dois co-imperadores regressam do Egito de barco, daí a adoção deste tipo específico a"galera".

(UBRS: Até cerca do ano 350, era uma parte da cidade de Roma delimitada pelo recinto sagrado, o “Pomoerium”. Este neste espaço se tomavam as decisões políticas, era a sede do governo e, o centro de espiritualidade do Império.
Para Além da Urbs, por conseguinte do Pomoerium, encontram-se os bairros populares também conhecidos por subúrbios, assim como as necrópoles).

Constantino I-AE 14 cunhado em Tréveris cerca de 317-326
Anv. Constantino laureado e drapeado à direita, CONSTANTINVS  A V G
Rev. Isis segurando a vela de uma galera com 10 remos, VOTA PVBLICA
(Ref. Vagi-3424, RICp-208, Cohen-720).

Nas cunhagens do imperador Póstumo as galeras aparecem  em  antoninianos, denários, sestércios e duplos sestércio.

Postúmio-Antoniniano cunhado em Roma 260-268
Anv. Póstumo com coroa radiada à direita, IMP C POSTVMVS P F  AVG
Rev. Galera com 6 remos, 4 remadores e timoneiro, LAETITIA AVG
(Ref. RIC-73, RSC-167, Sear-10958).

Póstumo-sestércio cunhado em Cologne em 261
Anv.Bustos de  Póstumo e Hércules laureados e drapeados à direita,
 POSTVMVS PIVS AVG
Rev. Galera com 8  remos e 4 remadores,
FELICITAS EMP
(Ref. RIC-144, Cohen-186 var.)


Póstumo-Sestércio cunhado em Cologne  em 261
Anv. Póstumo laureado e drapeado à direita,
IMP C POSTVMVS PIVS AVG
Rev. Galera com 4 remadores e timoneiro,
LAETITIA AVG  SC
(Ref. ric-144, Cohen-186 var.)

Póstumo-Duplo sestércio cunhado em Cologne, 260-269
Anv. Póstumo com coroa radiada e drapeado à direita,
IMP C M CASS LAT POSTVMVS P F AVG
Rev. Galera com 4 remadores e timoneiro, LAETITIA 
(Ref. RIC V- 142, Cohen-165, Sear-11049var.)

Caráusio-Denário cunhado em Londres, cerca de 287
Anv. Carásio laureado e drapeado à direita,
IMP CARAVSIVS PF A V G
Rev. Galera com mastro, 6 remos e 4 remadores, FELICITA   RSR
(Ref.RIC-560, Cohem-65, Shiel-47,50 e 52, Gâchete-13511)

Quinários de Aleto ou Alecto: ursupador romano contra o imperador Dioclesiano na Britânia e Norte da Gália entre 293 e 296. Assumiu o trono da Britânia depois de assssinar Caráusio, este próprio também ursupador.

Aleto-Quinário cunhado em Camuloduno, 293-296
Anv. Aleto com coroa radiada e drapeado à direita,
IMP C ALLECTVS P AVG
Rev. Galera com mastro, 6 remos e 4 remadores, LAETITIA  QC
(Ref. RIC V-2-125, Sear-13866) 

Aleto-Quinário cunhado em Camuloduno, 293-296
Anv. Aleto com coroa radiada e drapeado à direita,
IMP C ALLECTVS P F AVG
Rev. Galera com mastro, 5 remos e 5 remadores, VITVS AVG QC
(Ref. RIC V-126, Burnett-213)

Houve grande número de reversos fazendo referência aos barcos:  não os podemos aqui citar todos e vamos passar diretamente para o século IV com duas “Majorinas” do imperador Constâncio, que mostram o imperador em pé, numa galera conduzida por uma Vitória, sentada com o leme na mão navegando para a esquerda.

Constante I-AE 30 cunhado em Aquileia, 348~350
Anv. Constante com diadema e drapeado à direita,
DN CONSTANS AVG A
Rev. Constante com uma Vitória na mão direita, estandarte com o
Cristograma na esquerda,em pé numa galera conduzida por uma Vitória,
FEL TEMP REPARATIO AQT A
(Ref. VIII-Aquileia 118)

Foi no reinado do imperador Constantino I que o “Cristograma” (símbolo cristão) apareceu pela primeira vez numa moeda.

Constante I-AE 30 cunhado em Antioquia, 348-350
Anv. Constante com diadema e drapeado à direita,
DN CONSTANTS P F AVG
Rev. Constante em pé numa galera conduzida por uma Vitória,
com uma Fénix na mão direita e um estandarte na esquerda,
FEL TEMP REPARATIO
(Ref. RIC VIII-Antioquia 124)

Teodósio I-AE 23 cunhado em Constantinopla, 378-383
Anv. Teodósio com capacete, e couraça e lança à direita,
DN THEODOSIVS PF AVG
Rev. Teodósio em pé, numa galera conduzida por uma Vitória,
GLORIA ROMANORVM CONA  
(Ref. RIC IX-52c,a, Gâchette-20478)

Teodósio I-Áureo cunhado em Constantinopla,382-383
Anv. Teodósio com diadema e drapeado à direita,
THEODOSIVS  PF AVG
Rev. Teodósio com um globo na mão esquerda, um cetro na direita, sentado numa galera
CONCORDIA AVG GG CONOB
(Ref. RIC IX-45,d5)  

Não podia terminar este pequeno trabalho, sem aqui mostrar o célebre e magnífico sestércio do imperador Nero, representando o Porto de Óstia, considerado uma das mais belas representações numismáticas.

Nero-Sestércio cunhado em Roma no ano 64
Anv. Nero laureado à direita,
NERO CLAVDIVS CAESAR AVG GER P M TR P IMP P P
Rev. Porto de Óstia – AVGVSTI SPQR OST
Em cima e ao centro, um farol sobrelevado com a estátua de Neptuno:
em baixo o (rio) Tibre semi-deitado com um remo e um golfinho:
à esquerda o cais sobrelevado : à direita uma fiada de estacas ligadas umas às outras:
a parte central é toda ocupada por uma esquadra de barcos. (o número de barcos pode variar de uma emissão para outra).
(Ref. RIC I-178 var., Cohen-41,WCN-120)

(Este sestércio comemora o fim da construção do primeiro porto marítimo de Roma, situado a cerca de quatro kilómetros a norte de Óstia.
A sua construção teve início no ano 42, no reinado do Imperador Claudio, e terminada por Nero em 64 ou 66 ?.
Para proteger o porto das grandes tempestades e regular a circulação, na entrada foi construído um farol que mais tarde foi encimado com uma estátua de Netuno.
Com este melhoramento, o porto ficou dotado com uma entrada e uma saída.
A sua construção foi muito lenta e difícil,  porque a bacia do porto era muito arenosa.
Para este trabalho, utilizaram um barco de grande carga, onde préviamente  o imperador Calígula transportou do Egito para Roma, o obelisco que colocou no seu, “Circo de Calígula”; mais tarde, o imperador Nero colocou-o no jardim de Agripina Maior).

Reprodução recente de um sestércio de Nero (vendida a 8 euros)

Para terminar vamos falar de barcos encontrados na net.

Se do século XVI au século XVIII, o termo galera designou um tipo preciso de navio de guerra a remos, hoje tomou um sentido mais generalizado porque todos os barcos de combate da antiguidade, idade média, período clássico e até ao início do século XIX, que viu o seu desaparecimento, são designados por esse nome “galera”.

Galera: sinónimo de “barco longo”, expressão antiga que designava uma embarcação longa e estreita, de forma a dispor em cada bordo, o maior número possível de remos, por oposição ao barco a velas obrigatoriamente largo e profundo, para que a força do vento nas velas não o virasse.
Em seguida, com o aparecimento dos barcos a velas cada vez mais finos, a velha “galera” que tantos serviços prestou da antiguidade até ao início do século XIX, começou a rarear, e desapareceu completamente com o aparecimento dos barcos a vapor.




Galera Birreme

Galera da antiguidade com duas fileiras de remos de cada lado.
Eram navios de guerra gregos inventados no século VII a.C., mais tarde utilizadas pela marinha romana, em especial no contexto das guerras Púnicas.
Para aumentar a velocidade dos navios sem reduzir a sua capacidade de manobra, foi adicionada mais uma fiada de remos intermediária à primeira fileira.
Com este método os navios tornaram-se mais rápidos sem todavia aumemtar o seu tamanho

No início do combate, as birremes utilizavam a força dos seus remadores para perfurar o casco do inimigo, depois a abordagem munidos de espadas e escudos .
                 

Galera Trirreme

A galera trirreme : apareceu no século V a.C., foi utilizada pelos gregos e posteriormente pelos romanos.
Esta galera caracteriza-se  por três fileiras de remos. Cada remo era movido por um remador e, dispostos  de forma que todos pudessem remar sem incomodar os outros.
Ao contrário dos romanos que pretendiam não destruir o inimigo mas sim capturá-lo, a trirreme grega  era especialmente utilizada para abalroar navios inimigos.

               
Galera Ibérica

A galera Ibérica do Atlântico, não é muito diferente do mesmo tipo de navio utilizado pelos árabes no ocidente do mar Mediterrâneo.
Dos países da Península Iberica, nem Portugal nem Castela e Leão se destacaram pelas suas galeras.
Portugal tinha um mar oceano onde este navio não era muito adequado: Castela tinha uma costa atlântica no norte (Galiza, Astúrias e Cantábria) que lhe colocava o mesmo tipo de problemas.
A sul os navios dos dois países também operavam no Mediterrâneo juntamente com os navios do reino de Granada e, posteriormente  pelos corsários berberes que foram expulsos do sul de Espanha.

Galera Veneziana


Veneza utilizou galeras desde o início da sua  República do século IX até 1797.
Este tipo de navio, foi o principal apoio do poderio naval veneziano que foi evoluindo ao longo dos séculos, até que com a chegada do canhão, começaram a ser equipadas com um ou dois na proa.
Bem armadas, no século XVI estas galeras tiveram um rolo fundamental na batalha de Lepanto, derrotando algumas  frotas dos reinos Habsburgo. 

MGeada

Bibliografia

Wikipédia
Fillipo Coarelli; Guide Archeologique de Rome, 1999.
Jean-Antoine Barras de la Peine ; La Science des Galères,  1667.
Jeannine Siat; Promenades Romaines, Le port d'Ostie, Lethiellux 2004.
Magazine Neptunia ; La revue des Amis du Musée de la Marine.