terça-feira, 26 de setembro de 2017



Constantino I - O Grande


Desde sempre,  existiram  personagens  que nasceram e deixaram marcas indeléveis, que uma vez desaparecidos, continuam vivendo graças aos seus feitos.
Muitas vezes estas personalidades foram inventores, exploradores ou grandes pensadores. Analisando estes prodígios à escala universal são poucos homens ou mulheres que deixaram uma herança durável à humanidade.

Podemos afirmar de forma inequívoca que o imperador Constantino I, 306-337, faz parte  dessa rigorosa selecção. Na nossa opinião, um dos maiores.
Constantino, (Flavius Valerius Aurelius Claudius Constantinus) nasceu a 27 de Fevereiro de 274, em Naissus, Mésia (actual Nis na Sérvia).
Era o filho mais velho de Constâncio Cloro, oficial do exército romano que mais tarde será imperador, e Helena (Santa Helena).

Constantino cresceu nos campos  militares e serviu sob Diocleciano.
Foi  proclamado   César no ano 295, e Augusto pelas legiões no ano 306, após a morte do seu pai.
Homem aguerrido e inteligente, mostrou as suas capacidades militares nas campanhas contra os sármatas e germanos, e qualidades políticas nas relações com os diversos Augustos que lhe disputavam o governo do Império


Constantino I-Folis cunhado em Arles (França) em 360-365
Anv.Constantino com diadema e drapeado à direita
CONSTANTINVS MAX AVG P .CONS
Rev. Ao centro duas insígnias militares e uma folha de palmeira, ladeadas por dois soldados armados com lanças
GLORIA EXERCITVS P. CONS
(RIC. VII 364 P)

Fervente admirador da justiça e da verdade, a sua conversão ao cristianismo a partir de 312, não foi unicamente um cálculo político, mas também uma autêntica escolha religiosa.
Mas esta sua admirável faceta, não pode esconder outra menos brilhante do personagem.

Afectado por um grande orgulho e ávido de elogios desmesurados muito nocíveis para a sua reputação, ao ponto de se deixar influenciar pelos seus próximos.
Incapaz de se dominar, utilizou a violência e o crime para alcançar os seus objectivos.
Esse combate perpétuo com ele próprio com aspirações místicas e violências impulsivas, fazem a sua vida singularmente dramática.

Constantino cresceu em Nicomédia na corte de Diocleciano. Será que este o tomou sob a sua protecção para o preparar à sucessão do pai, ou para se assegurar a fidelidade deste último?
Sob a tutela de Diocleciano, Constantino recebeu uma educação principesca, ao mesmo tempo que iniciou uma carreira militar

Quando em 305, Diocleciano abdica e passa o testemunho a Galério, Constantino ficou ou foi obrigado a ficar com o novo imperador, ainda que muito decepcionado por não ter sido designado César do seu pai  Constâncio, que  também não ficou satisfeito de não ter o filho como próximo colaborador, e ter que colaborar com Severo, (um protegido de Galério), como César.

No ano 306, com alguma hesitação, Galério consentiu que Constantino colaborasse com o pai que há muito tempo o reclamava.
Pai e filho encontraram-se em Boulogne, (a história conta que Constantino mandava mutilar todos os cavalos das estalagens por onde passava, e assim impedir que os soldados de Galério o apanhassem e levassem para a corte imperial, porque entretanto o imperador tinha decidido não o deixar  colaborar com o pai) e juntos foram para a Bretânia combater os Pictos(antigos habitantes da Escócia) que se tinham revoltado.

Quando Constâncio Cloro faleceu (25 de Julho de 306, em Eburacum York), e os soldados proclamaram o seu filho Constantino à dignidade de  Augusto, Severo não aceitou esta promoção e só lhe concedeu a de César. Constantino pressentiu que a sua hora ainda não tinha chegado, abdicou da escolha dos soldados e aceitou a proposta de Galério.

Para os  historiadores, ainda que Constantino só tenha o título e a função de César, eles calculam o período do seu reinado a partir da morte de Constâncio.
Constantino que controlava a Bretânia e a Gália, no dia 21 de Março 307, após a captura de Severo II, fez-se proclamar Augusto pelos soldados.

Receando que Constantino fizesse aliança com Galério e se virasse contra o filho, Maximiano deslocou-se à Gália e fez um pacto com ele no dia 25 de Dezembro 307.
Em Novembro de 308, aquando de uma entrevista em Carnuntum(Panónia), Diocleciano, Maximiano e Galério, substituiram Constantino por Licínio, um novo protegido de Galério.

Constantino não aceitou esta nominação: em 309-310, terminou com a Domus Divina do pai, “Domus Herculiana”, manisfestando assim o seu desejo de terminar com o sistema instituído por Diocleciano.

Para revelar a sua vontade de criar um novo sistema de governo onde só exite lugar para um só homem no cimo da pirâmide, ele pôs-se sobre a protecção  de outro deus; o Sol Invictos.
A sua vitória sobre  Maxêncio na batalha do Ponte Mílvio dia 28 de Outubro 312, decidiu definitivamente o reconhecimento do cristianismo como religião oficial do Império.


MARCVS AVRELIVS VALERIVS MAXENTIVS, 306-312
Follis cunhado em Óstia (desconhecemos o período de actividade deste atelier)
Anv. Busto laureado de Maxêncio à direita,  
IMP C MAXENTIVS PF AVG
Rev. Os Dioscuros Castor e Pólux com uma lança na mão, e outra nas rédeas dos cavalos AETERNITAS AVG N
(RIC VII-256 var, Sear15012)

No ano 324 depois de vencer Licínio junto às muralhas de Roma, passou a ser o único governador do Império.
Ainda no mesmo ano Constantino decidiu fundar uma nova capital para o Império, e transformou a cidade grega de Bizâncio numa nova Roma à qual deu o seu nome: Constantinopla, que foi inaugurada com toda  a pompa e circunstância em 330.
 
A cidade foi construída num sítio natural defensivo que a tornava práticamente invencível, numa época em que Roma estava constantemente sob a ameaça dos germanos.
Situada  perto de algumas  terras da velha cilvilização helénica; Constantino construiu-a segundo o modelo de Roma. Sete colinas, catorze regiões urbanas, um Capitólio e um Senado.

Se no início, ele permitiu a implantação de alguns templos pagãos, num curto espaço de tempo Contantinopla  passou a ter unicamente edifícios religiosos cristãs, e uma população de 100 000 habitantes.
Além do palácio imperial Constantino também mandou construir o hippŏdrŏmŏs (hippŏdrŏmus), hipódromo (novo nome atribuído aos circos romanos) e a famosa igreja de Santa Sofia.

Até agora podemos argumentar que Constantino foi um imperador como os outros: nasceu para reinar. Muito astuto, impôs algumas obrigações a Maximiano (que o levaram a cometer suicídio) e mais tarde a execução de Licínio são exemplos que ilustram os seus futuros projectos.

Para ascender ao poder, teve que seguir o mesmo caminho tortuoso que os  seus antecessores. No entanto, algo de incomum irá motivá-lo a seguir um rumo que não estava previsto. 
Esta nova orientação, vai fazer dele uma das figuras mais respeitadas da história de Roma e da humanidade.

FLAVIVS VALERIVS LICINIANVS LICINIVS, co-imperador 308-324.
Follis cunhado em Alexandria, em 317-320.
Anv. Busto laureado e drapeado de Licínio à esquerda - 
IMP LICI NIVS AVG
Rev. Jupiter à esquerda com um ceptro e um globo
IOVI CONSER VATORI AVGG
(Ref. RIC VII 23)

No início do seu reinado o cristianismo passou  a ser mais tolerado e a sua propagação começou a estender-se a todas as classes sociais.
Constantino acabou no entanto por entrar na história como primeiro imperador romano a professar o cristianismo, na seqüência da sua vitória sobre Maxêncio na Batalha da Ponte Mílvio em 28 de outubro de 312, (perto de Roma), que ele mais tarde atribuíu ao Deus cristão.


Segundo a tradição, na noite anterior à batalha sonhou com uma cruz, e nela estava escrito em latim: In hoc signo vinces - "Sob este símbolo vencerás".
De manhã, antes da batalha, mandou que pintassem o simbolo cristão nos escudos dos soldados e conseguiu uma vitória esmagadora sobre o inimigo.
(Esta narrativa não é considerada um facto histórico, tratando-se antes da fusão de duas narrativas de factos diversos encontrados na biografia de Constantino pelo bispo Eusébio de Cesareia, também conhecido por Eusebius Pamphili.)


Constantino I, 306-337                                                                 Cristograma
Ae 3 cunhado em Constatinopla, em 313-315 ?
Anv. Busto de Constantino laureado à direita
CONSTANTINVS MAX AVG
Rev. Estandarte com cristograma e serpente
SPES PUBLICA
(Ref. RIC VII 19)

Esta foi a  decisão mais importante da sua vida.
no ano 313, o cristianismo recebeu o reconhecimento oficial de todo o Império Romano. Foi o édito de Milão, que garantiu a liberdade do culto, e a seita foi livre de exercer a sua actividade fora  das catacumbas.
Ele lançou as bases do Vaticano e da Igreja de Santa Sofia em Constantinopla, a nova capital do Império.

No Concílio de Niceia, ele rejeitou o arianismo, foi um dos maiores apoiantes do dogma da Trindade, e mandou erigir  as primeiras estátuas cristãs.
Constantino I considerava-se superior ao papa da época; São Silvestre 314-335. 
Também no seu reinado um édito imperial fez do domingo um dia de repouso.
Tendo sido um defensor da fé cristã, ele mereceu sem dúvidas o título de “O Grande”.
É a Constantino que se deve a expansão judaico-cristã na Europa.


Constantino I, 306-337                                       
Follis cunhado em Siscia, 313-315.
Anv. Busto laureado de Contantino à direita 
IMP CONSTANTINVS PF AVG
Rev. Jupiter à esquerda com uma Vitória na mão direita e um ceptro na esquerda
IOVI CONSERVATORI AVG DNN
(Ref. RIC VI 234c B)

No ano 326, durante uma viagem que efectuou a Jerusalém,  Helena "sua mãe" , também se converteu ao cristianismo . É a Helena que se deve a invenção da Santa Cruz.
Doravante,  estava tudo preparado para a expansão da fé cristã. A religião Católica Romana tinha nascido.

Sob o governo de Constantino I, a representação dos diferentes deuses nas moedas romanas começou a diminuir.
Foi ainda durante o  seu reinado que o follis vai deixar de ser unidade de conta.
O solidus apareceu pela primeira em 310, e foi cuhado em Tréveros.


Flávia Júlia Helena, nasceu em Bitínia cerca de 248. (faleceu + ou-,com 80 anos)
AE 4 Cunhado em Constantinopla, em 330.
Anv. Busto de Helena com diadema à direita 
FLIVL HE LENA AVG
Rev. A Pax com um ceptro e de frente, olhando para a esquerda, 
PAX PUBLICA
(RIC VIII 33)
 
Podemos dizer que o reinado de Constantino, marcou uma ruptura com a antiga Roma.
Com ele tudo mudou. As várias religiões que existiam vão desaparecendo aos poucos em favor do cristianismo.
A Roma do passado deixou de existir. A  sobrevivência da religião cristã deve-se a Constantino.

O nosso método de ver ou pensar, está ligado ao sonho deste grande imperador que foi um dos personagens que mais influenciaram o nosso modo de vida.
A seita cristã não poderia sobreviver  enquanto religião semi-legal e os cristãos  teriam provavelmente outra religião.

Constatino I (postumo) cunhado em Antioquia, sob Contantino II, em 342-347
Anv. Constantino já com idade avançada, com um véu na cabeça
DV CONSTANTINVS PT AVGG
Rev. Aequitas em pé com uma balança na mão esquerda
IVST VEN MEN
(Ref. RIC VIII, 64)

Constantino, permaneceu até ao fim do seu reinado marcado pela fé que o inspirou, mas só foi baptizado nos últimos dias da sua vida e, pouco antes de sua morte proclamou-se o décimo terceiro apóstolo.
Segundo a lenda, foi enterrado com 12 túmulos vazios, e mandou que parte da sua fortuna fosse dedicada à construção de basílicas cristãs.

Constantino I, 306-337
AE 4  póstumo, cunhado em Alexandria, em 337-340.
Anv. Constantino com um véu na cabeça virado à direita, 
CONSTANTINVS  PTA AVG.  
Rev. Constantino numa quadriga a subir ao céu com os braços estendidos, "para alcançar  a mão de Deus"       S R  SMAL
(RIC VIII-12,Δ)

 Graças ao imperador Constantino I e à sua geração, “o mal cristão” tão criticado e punido pelos seus antecessores iria espalhar-se aos quatro cantos do império e do mundo
Constantino faleceu dia 22 de Maio de 337. Seguiu-se um interregno até Setembro de 337, durante o qual o ramo colateral da família de Constantino foi sistemáticamento eliminado por instigação de Constâncio II, excepto Constâncio Galo que na ocasião se encontrava muito doente, e Julião que contava apenas seis anos de idade.

Após a morte de Constantino, os seus filhos mandaram cunhar uma importante série de moedas onde a iconografia pagã, (rosto coberto com um véu e carro triunfal) acompanha os símbolos cristãos. “A mão de Deus estendida ao imperador”.

MGeada

Bibliografia

Barnes, Constantine and Eusebius. 272 “Itrodution” (CC),272
Bourgey; Sabi ne, Hollard; Dominique-L’Empire Romain, Tome III, 235-337, ap. J.C. Editions Errance, Paris 1991.  
Zosso; François, Zingg; Christian., Les Empereurs Romains(27 av.J.C. - 476 ap.J.C.
Editions Errance, Paris 1994.
Depeyrot;George-La monnaie Romaine, Paris, 2006.
Jean-Michel Carrié et Aline Rousselle, L'Empire romain en mutation, des Sévères à Constantin, 192-337, éd. Point-Seuil, coll. Nouvelle histoire de l'Antiquité, 1999
Pierre Maraval, Constantin le Grand, empereur romain, empereur chrétien (306-337), Tallandier, coll. "Biographies", 2011







sábado, 26 de agosto de 2017



Um novo aspecto do simbolismo da emissão monetária do milénio de Roma, no reinado do imperador Filipe I, “o Árabe”.

Os jogos seculares foram comemorados inúmeras vezes, e deram origem a muitas  emissões monetárias.
Augusto, Domiciano e Septímio Severo comemoraram este evento baseando-se no “calendário etrusco” que tinha a particularidade de ter 110 anos .
Cláudio, Antonino Pio e Filipe, comemoraram  respectivamente os 800, 900 e o milénio de Roma, que é o assunto destas páginas.
Neste artigo vamos tentar fazer um balanço sobre as hipóteses da simbologia nos  reversos utilizados.

Filipe I-Antoniniano cunhado em Roma  no ano 248
Anv. Filipe com coroa radiada à direita
IMP PHILIPPVS AVG
Rev. Leão caminhando para a direita
SAECVLARES AVGG  I = primeira oficina
 (Ref. RIC-12, RSC-173, Sear-8956)


Filipe I-Antoniniano cunhado em Roma em 248
Anv. Filipe com coroa radiada à direita
IMP PHILIPVS
Rev. Loba amamentando Rómulo e Remo
SAECVLARES AVGG   II, segunda oficina
(Ref. RIC IV/15, Cohen-178)

Filipe I-Antoniniano cunhado em Roma em 248
Anv. Filipe I com coroa radiada à direita
IMP P PHILIPPVS AVG
Rev. Bode  caminhando para a esquerda
SAECVLARES AVGG  III, terceira oficina
(Ref. RIC IV/22, RSC- 189)

Otacília Severa (esposa de Filipe I)-Antoniniano cunhado em Roma em 248
Anv. Otacília com diadema e drapeada à direita
OTACIL SEVERA AVG
Rev. Hipopótamo com cabeça de leão caminhando para a direita
SAECVLARES AVG   IIII, quarta oficina
(RIC- 116 b. RSC-63)

Filipe I- Antoniniano cunhado em Roma em 248
Anv. Filipe com coroa radiada à direita
IMP PHILIPPVS AVG
Rev. Cervo caminhando para a direita
SAECVLARES AVGG  V, quinta oficina
(Ref. RIC IV/22, RSC- 189)

Filipe I- Antoniniano cunhado em Roma em 248
Anv. Filipe com coroa radiada à direita
IMP PHILIPPVS AVG
Rev. Antilope caminhando para a esquerda
SAECVLARES AVGG  VI, sexta oficina
(Ref. RIC IV/22, RSC- 189)


Filipe I-Antoniniano cunhado em Roma em 248
Anv. Filipe com coroa radiada à direita
IMP PHILIPPVS AVG
Rev. Veado caminhando para a esquerda, e marca da oficina
SAECVLARES AVGG
(Ref. RIC- IV/20, RSC-185)

Philipe II-Sestércio cunhado em Roma em 248
Anv. Philipe II drapeado e laureado à direita
IMP M IVL PHILIPVS AVG
Rev. Alce caminhando para a esquerda (espécie de veado das regiões do norte)
SAECVLARES AVGG  (sem marca da oficina)
(Ref. RIC-264a, Cohen-73)

Philipe I-Antoniniano cunhado em Roma em 248
Anv. Filipe com coroa radiada à direita
IMP PHILIPPVS AVG
Rev. Cipo com a inscrição  COS III
SAECVLARES AVVG

Filipe I-Antoniniano cunhado em Roma em 249
Anv. Filipe com coroa radiada à direita
Rev. Templo de Roma, hexastilo (com 6 colunas) com a deusa Roma ao centro
SECVLVM NOVVM -(Século novo)
(Ref. RIV-25 B, RSC-198) 

Esta  9 ͦ  emissão da oficina monetária de Roma, provavelmente teve início, em  abril do ano 248, por ocasião do milénio de Roma.
De notar que RIC considera que esta é a 5 ͦ emissão da oficina  monetária de Roma, que teve início no dia 21 de abril  de 247.

Para esta emissão, as seis oficinas em actividade cunharam moedas que tinham todas a mesma legenda no reverso, SAECVLARES AVGG (Saeculares Augustorum).
Os jogos seculares dos Augustos, têm a representação de um animal diferente em cada oficina e, no exergo o seu número em algarismos romanos ou, uma marca.

Estas moedas foram cunhadas em nome de Filipe I e Filipe II seu filho que ele elevou ao título de Augusto em maio de 247, e de Octacília esposa de Philipe I.
A interpretação do reverso destas emissões, tem ligação com os textos antigos.

A história de Augusto dá-nos uma lista dos animais exibidos: encontramos o leão, o veado e hipopótamo, que figuram no reverso destas emissões.
A explicação mais comumente aceite, é que estamos na presença de uma emissão monetária , destinada a veicular no Império a imagem de um dos grandiosos aspectos destas  festividades.

Esta interpretação conforme aos textos, é perfeitamente credível e, oferece uma visão impressionante do realismo das distrações oferecidas ao povo, nesta  grande ocasião. 
Este tipo de emissão monetária, também se encontra frequentemente para comemorar o triunfo do imperador, no regresso das suas campanhas militares.

Vejam  por exemplo este denário do imperador Caracala.

Caracala-Denário cunhado em Roma em 212
Anv. Caracala laureado à direita
ANTONINVS PIVS AVG BRIT
Rev. Elefante com o corpo e pernas cobertas com uma rede, caminhando para a direita
P M TR P XV COS III P P
(Ref. RIC- 199, RSC-208, BMC-47)   

No entanto, devemos notar que entre essas moedas, a da segunda oficina difere das outras.
Com efeito, o tema escolhido “a loba romana” é uma  referência direta ao mito da fundação de cidade, enquanto outras emissões mostram outros animais.
Temos portanto uma emissão puramente descriptiva dos jogos, mas também com outra simbologia.
No entanto, podemos ter uma ideia que durante os desfiles, um carro tenha  transportado esta representação (estátua), ou mesmo que a cena tenha sido recontituída ao natural com uma loba domesticada e crianças.

O aspecto simbólico dessa representação, "o símbolo" do mito da fundação de Roma, obriga a interrogarmo-nos, sobre o impacto dos outros reversos presentes aquando desta emissão, porque o aspecto simbólico destes, era uma constante na numária de Roma desde a República e, seria surpreendente que os animais ilustrados  nestas moedas, fossem escolhidos ao acaso.

Nas moedas romanas, os animais são muitas vezes representados  seja como um símbolo de força “o leão”, eternidade ou longevidade “elefante ou cervo”, ou como símbolo de uma divindade: o leão, a cabra, ou a águia por Júpiter, (presente especialmente nas moedas de consagração), a serpente da Salus, a corça de Diana etc,.

Esta interpretação simbólica da 9 ͦ emissão faz todo o sentido no contexto, porque a moeda sendo o principal vetor da propaganda imperial, não há nada de surpreendente em que para exaltar o poder, as virtudes de Roma e do imperador, tenham esolhido animais representativos dessas qualidades.

Esta hipótese nos daria as seguintes simbólicas :
O leão=Júpiter=imperador
A loba romana=Roma eterna
O cervo=a longevidade do reinado

Para os outros três reversos, a simbologia é mais obscura; todavia podemos sugerir algumas suposições:

O hipopótamo=fecundidade: este animal na Antiguidade Tardia egípcia, ainda estava assimilado à mulher grávida e à Fecundidade (deusa Taouret).
Este simbolismo terá sobrevivido até ao século III, através do culto da deusa Isis, importado do Oriente e se espalhou em Roma?
Esta hipótese é interessante porque é o retrato da imperatriz que lhe está assossiado no anverso da moeda.

Não faremos um grande  comentário sobre a relação entre o bode e Filipe II: a sua coragem nos combates? Ou outro ânimo longe dos campos de batalha, simbolizando a aspiração dinástica?

Em contrapartida, a associação cabra=Júpiter é mais explícito, porque foi uma cabra “Almateia”que alimentou Júpiter na sua infância.
A cabra associada a Pilipe II, poderia  muito bem fazer  referência à infância de Júpiter e, ao mesmo tempo a Filipe tornando-o um jovem imperador.
Portanto é possível que não seja um bode, mas sim uma cabra como o consideram alguns autores.
A identificação do animal representado nesse reverso, foi recentemente motivo de muitos debates. Além disso, alguns anos mais tarde a representação de Júpiter montado na cabra Almateia, será um dos reversos principais do jovem Valeriano II, filho do imperador  Galiano.

Valeriano II-Antoniniano cunhado em Roma em 257-258
Anv. Valeriano com coroa radiada à direita
P LIC VALERIANVS CAES
Rev. Júpiter montado na cabra Almateia, levantando a mão direita e segurando um chifre com a esquerda,    IOVI CRESCENTI  (Júpiter Crescente/a crescer)
(Ref. RIC-13. C. 29, Sear-10732)

No que diz respeito ao antilope ainda não se encontrou  nenhuma simbologia  particular.

Os animais símbólicos (reais ou fictícios) associados à proteção de uma divindade, será retomada alguns anos depois pelo imperador Galiano, na sua emissão do “bestiário".

Essas interpretações simbólicas dos reversos, não vão contra aquelas utilizadas pelos imperadores anteriores: só é pena não ser aplicável a toda a série monetária.

Podemos enão presumir  uma outra interpretação simbólica, que não é contra o contexto histórico nem das  imterpretações  precedentes.

As festas do milénio, são a oportunidade de melhorar a imagem do Império que é atacado por todos os lados.
Os bárbaros já se encontranm às portas do Império Romano. Filipe conseguiu a paz com os persas, em troca de algumas terras e um vergonhoso tributo anual. Os Carpos e os Quados, devastaram a Dácia antes de serem derrotados e expulsos no ano 245.
Agitações rebentam continuamente na fronteira norte e a leste.
É necessário manter a ilusão que o mundo romano ainda é muito poderoso e, continua a ser o centro do mundo.
A escolha dos animais representados, estará em relação com essa ideia de universalidade?

Desde sempre os animais foram escolhidos para representar as províncias nas moedas: o leão, o escorpião e o elefante para representar a África. O crocodilo para o Egito, são alguns exemplos disso.

Para representar a extensão do mundo romano da época pelas suas províncias, seria necessário 
quase um jardim zoológico! Para isso, as seis oficinas monetárias de Roma seriam insuficientes.

Geográficamente, o mundo romano apresenta-se como um rectângulo com o Mediterrâneo no seu centro, e pode ser dividido em vários subgrupos coerentes. 

A Itália é rodeada por:

1-«Velho Mundo romano». as províncias do oeste e do noroeste, romanizado desde há muito tempo.

2-«As províncias Bálcâs» do nordeste (Dácia, Panónia etc,).

3-«Oriente Próximo» (ou Próximo Oriente) (Síria, Arábia, Mesopotâmia)

4-«África do Leste (Egito, Líbia)

5-«África do Oeste» (Zona Sáariana e costeira)

Partindo daqui vamos estudar os animais representados

A gravura dos cunhos, é aproximadamente a mesma em todos os exemplares consultados.
Os artistas procuraram reproduzir um determinado animal, e não um animal qualquer, porque para um mesmo tipo pode haver grandes variações, dependendo da espécie e da sua origem geográfica.

Originalmente regrupados para o triunfo do imperador Gordiano III, lógicamente estes animais deviam ser originários ou representar aquela região. 

Na antiguidade, o leão era muito abundante na Àfrica e no Oriente Médio.

A cabra, animal comum, domesticada há muito tempo, estava presente em todos os lados. No seu estado selvagem (cabra de angorá), encontrava-se em grande abundância nas regiões montanhosas no nordeste da (Turquia  Asiática).

O hipopótamo, agora confinado nas regiões húmidas da África Central, naquela época o seu domínio chegava até à embocadura (ou foz) do rio Nilo.

O cervo: este animal foi predominante em todos os lados, mas com variações significativas no tamanho e nos chifres. O animal representado nas moedas, aparatado com numerosos esgalhos em conformidade  com a  espécie europeia, vive  em áreas florestais.

O antilope: este animal como o precedente, foi generalizado sob diversas formas na África, Ásia e mesmo na Europa do Norte. Os longos chifres em espirale e ligeiramente arqueados para trás, são uma reminiscência (ou recordação), de uma espécie africana (cudo, oryix ?).

Como podemos constatar, estes animais não são tipicamente “persas” e neste caso, considerar a seguinte simbólica, dependendo da origem geográfica dos animais.

O leão: Oriente Médio, a Arábia terra natal do imperador.

A cabra: as regiões das bálcâs

Hipopótamo: Egito

O cervo: as províncias do noroeste 

O antilope: a  Àfrica subsariana

Estes cinco animais estão associados com a Loba, símbolo  de Roma e da Itália.

A história de Augusto e outras fontes antigas não dão pormenores  sobre estas festividades.
Podemos imaginar que um desfile juntou delegações «dos cinco cantos do Império», que vieram a Roma para celebrar o evento, cada uma acompanhada por animais representativos dessas regiões.
Uma forma do triunfo de Roma sobre o resto do mundo; ou, considerar que estes reversos mostram que os animais reunidos para a ocasião, provinham de todo o “mundo romano”.
Em seguida, este cortejo triunfal dirigia-se para o templo de Roma para efectuar devoções e sacrifícios.
O templo de Roma será então representado nas moedas da emissão seguinte.

Filipe I-Antoniniano cunhado em Antioquia em 249
Anv. Pilipe I com coroa radiada e drapeado à esquerda
IMP M IVL PHILIPPVS AVG
Rev. Templo de Roma com seis colunas.
A Deusa figura ao centro com um cetro na mão esquerda e um globo na direita
SAECVLVM NOVVM
(Ref. RIC-86a, RSC-200)
(Antioquia:  foi uma cidade da antiga província romana da Pisídia. Foi uma das diversas cidades que receberam o nome de Antioquia, fundadas por Seleuco I).

Como a utilização de animais para representar o espaço geográfico já tinha sido utilizado no passado, mas em pequena escala, exemplo o denário do imperador Adriano aonde no reverso a África regrupa dois animais: o elefante e o escorpião.

 Adriano-Denário cunhado em Roma em 149
Anv. Adriano laureado á direita
HADRIANVS AVG COS III P P
Rev. A África semi deitada virada à esquerda, com uma pele de elefante na cabeça, um escorpião na mão direita, e uma cornucópia na esquerda.    AFRICA.
(Ref. RIC-299, RSC-138)

E, dado o estado do Império romano nesse momento, a necessidade de reforçar a ideia do seu poder e supremacia sobre o mundo através das moedas junto dos habitantes do Império, não pode ser negligenciada.
Estes pressupostos, no entanto permaneceram simples construções intelectuais; as fontes que temos não permitem afirmar a certeza.

A leitura do reverso  proposto, no entanto oferece a vantagem de fazer a 9 ͦ emissão homogénia sobre o plano simbólico, sem por em causa as outras leituras.
Esta foi uma das razões que nos levaram a interrogarmo-nos sobre o impacte simbólico do reverso desta emissão, a escolha destes animais e diversidade  psicóloga destas imagens.

Estes animais podem ser apenas os atores de grandes caçadas recontiuídas nas arenas: explicação puramente descritiva, da qual o significado era evidente para os romanos  da Itália  mas, devia escapar a grande parte das  pessoas em outras  regiões do Império.

Porque utilizar animais pouco representativos (em questão de força,) para mostrar a grandeza de Roma?
A história de Augusto cita animais mais espetaculares: tigres, panteras, hienas ou mais exóticos, por exemplo, rinocerontes e girafas que seriam mais adequados para sugerir a  magnanimidade dos jogos, e marcar os  espíritos ou memórias.

Essas moedas muito divulgadas em todo o Império, porque privar-se de uma mensagem de propaganda em larga escala?
Explicação: «Roma organiza jogos magníficos, Roma é  poderosa» mas,  podemos considerá-la um pouco simplista.

Um vetor importante para difusão dessas moedas nas regiões distantes de Roma, era o soldo  das legiões. Naquela época a maioria eram constituídas por soldados estrangeiros, muitas vezes oriundos de regiões perturbadas  do Império.
O facto dos soldados verem no reverso das moedas de Roma um animal familiar, podia significar que a sua terra de origem fazia parte do Império.

Esta mensagem federativa não parece ilógica, neste período turbulento onde a lealdade vai para aquele que paga melhor, e aonde as ameaças exteriores são cada vez mais frequentes.
Esta 10·ͦ emissão, também apresenta uma moeda interessante ligada às comemorações do milénio, mas apresenta outro animal: o elefante com a legenda AETERNITAS AVGG, (eternidade dos Augustos)

Filipe I-Antoniniano cunhado em Roma no ano 270
Anv. Filipe drapeado  e laureado à direita 
IMP PHILIPVS AVG
Rev. Elefante com o cornaca à esquerda
AETERNITAS AVGG
(Ref. RIC-58, RSC-17, Sear-8921)

Devemos primeiramente notar, que é a única moeda nesta emissão com este reverso.
Se for apenas para mostrar um animal que participou nas festividades, a sua presença nesta emissão pode surpreender e, ficaria  melhor na 9 ͦ  emissão no lugar da loba.
Simbólicamente esta também ficava bem na 10 ͦ emissão com o templo de Roma, ou a moeda onde figura o cipo, erigido para celebrar os consulados do imperador e do seu filho, durante as cerimónias do milénio.

Filipe I-Antoniniano cunhado em Roma em 244-249 (10 ͦ emissão, 5 ͦ oficina)
Anv. Filipe laureado e drapeado à direita
IMP PHILIPPVS AVG
Rev-cipo com a inscrição   COS III,  SAECVLARES AVGG
(Ref.RIC-24C, RSC-193, Sear-8961)

Porque razão isolaram o elefante?
A legenda  refere-se  diretamente à noção da eternidade da qual o elefante é um símbolo forte.
Esta é uma mensagem clara: o Império é eterno representado na legenda do reverso ROMA AETERNAE, das precedentes emissões. 
Podemos aplicar a leitura «geográfica» a este reverso?

O elefante é tradicionalmente usado para representar a  Àfrica, tal leitura aqui parece impossível.
O elefante é também na história romana, o símbolo das guerras contra os cartagineses.
Uma referência a Anibal, aqui seria anormal.
Por isso não temos leitura «geográfica» perfeitamente adequada. 
Todavia os elefantes continuaram a ser utilizados muito além das Guerras Púnicas (como força de ataque ) por alguns exércitos, incluindo os persas.

A História de Augusto indica que na época dos jogos havia 32 elefantes em Roma, dos quais 12, enviados por Gordiano III, 10 por Alexandre Severo,  os outros 10 terá sido Filipe I que os trouxe da Pérsia? 
Teremos aqui uma alusão à “vitoria” do exército romano sobre os persas?

Embora a paz com a Pérsia fosse concluída com um tratado infame para Roma, a escolha do reverso desta moeda pode ser visto como um aviso, enviado aos ursupadores que aparecerem no Império, exemplo: Pacaciano na Mésia.
Este imperador efémero vai usar o mesmo tipo de propaganda cunhando no reverso a deusa Roma com a legenda, Roma eterna ano 2001, usando assim o simbolismo do seu adversário a seu favor.

Pacaciano-Antoniniano cunhado em Viminacium  em 248-249
Anv. Pacaciano com coroa radiada e drapeado à direita
IMP TI CL MAR PACATIANS PF IN
Rev. Roma sentada num escudo, com uma Vitória na mão direita e uma lança na esquerda
ROMAE AETER AN MIL ET PRIMO
(Ref. RIC-IV 6 var., Cohen-7 var., RSC-7 var.)

MGeada

Bibliografia


André Piganiol ; Jeux Séculaires, Revue des Études Anciennes.
Eric Lesueur ; Le Milenaire de Rome.
Jean-Gagé ; Les jeux séculaires de 204 ap. JC, e la dynastie des Sévères-Mélanges d’archeologie et h’istoire. t.51.1934, pag.33-78.
Jean Gagé ; Recherches sur les jeux séculaires. Ed. Les belles Lettres.1934.
Laurent Schmitt ; Les Monnaies romaines, Editions les Chevaux Légers.
Paul Petit, Histoire Générale de L’Empire Romain-Edi. Seuil,1974.
Pierre Brind’Amour ; «L’Origine des Jeux Seculaires», volume 2, 1978,  page 1334-1417.
https://fr.wikisource.org/wiki/Les_Jeux_s%C3%A9culaires_d%E2%80%99Auguste

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Júpiter o deus mais importante do panteão greco-romano, (também conhecido por pai dos deuses).

Algumas imagens  dos deuses e  deusas  no numerário da “República Romana”.

Apresentamos a seguir (por ordem alfabética), uma galeria de retratos dessas divindades, tal como os romanos as representaram nas suas moedas.
 
(Excepto menção, todas as datas são antes de Cristo (antes da nossa era)

Apolo

Filho de Júpiter e Latona, irmão gêmeo de Diana, Apolo ou Febo, nasceu na ilha flutuante de Delos, que, a partir desse momento se torna estável e imóvel, pela vontade do jovem deus ou um  favor de Netuno.
Desde a sua  adolescência , ele tomou  a sua aljava e flechas terríveis, e vingou a morte da sua mãe matando Píton, pelo qual ela tinha sido tão obstinamente perseguida.
A cobra foi morta, e a sua pele serviu para cobrir o tripé sobre o qual a secerdotisa Delfos Pítia (ou Pitonisa) se sentava para fazer os seus oráculos.

P.Clodius  M. F. Turrinus- Denário cunhado em Roma no ano 42
Anv. Apolo
(Ref. Crawford 494/23, Sydenham-1117)

Apolo Velogis


L. Caesius- Denário cunhado em Roma, 112-111
Anv. Apolo Velogis
(Ref. Crawford- 298/1,  RBW-1140)

C. Licinius L. F. Macer-Denário cunhado em Roma no ano 84
Anv. Apolo Vingador
(Ref. Crawford-354/1, Sidenham-732)

Baco (ou Dionísio)

Filho de Júpiter e Sêmele, princesa de Tebas, filha de Cadmo.
Juno sempre com ciúmes e querendo destruir tanto a mãe como o feto que estava para nascer, foi ver a princesa disfarçado em Beroe sua ama, e aconselhou-a a exigir de Júpiter que este se apresentasse perante ela todo aparatado da sua glória.
Semêle seguiu esse conselho desleal. Após alguma hesitação, Júpiter cedeu às exigengências da mulher que amava e, apareceu com todo o seu explendor, no meio de relâmpagos e trovões.
O palácio incendiou-se e Semêle  pereceu no meio das chamas.
No entanto, Juno enganou-se nas suas expectativas, porque Júpiter pediu a Vulcano para retirar Baco do fogo. Macris filha de Aristeu recebeu a crianças nos seus braços e deu-a a Júpiter, que a meteu na sua coxa terminando ali a sua gestão.

Q Titus- Denário cunhado em Roma no ano 90
Anv. Baco Laureado à direita
(Ref. Crawford-341/2, Sydenham-692)

Ceres

Filha  de Saturno e Ops (deusa da fertilidade), ou de Vesta ou Cibele, ensinou aos homens a arte de cultivar o solo, semear e a colheita do trigo para fazer pão, o que faz dela a deusa da agricultura.
Júpiter, seu irmão, apaixonado pela sua beleza teve com ela Perséfone (ou Proserpine). Também foi amada por Netuno e, para escapar à sua perseguição, transformou-se numa jumenta. O deus apercebeu-se e transformou-se num cavalo. Os seus amores com Netuno fizeram dela mãe do cavalo Árion.

Com a vergonha da violêcia que lhe fez subir Netuno, Ceres retirou-se para uma caverna onde permaneceu tanto tempo, que o mundo estava em perigo de morrer de fome, porque durante a sua ausência, a terra deixou de produzir.
Finalmente Pã, que se encontrava caçando na Arcádia, descobriu a sua aposentaria e informou Júpiter que, através da intervenção das Parcas, acalmou-a e assim ela voltou para mundo que estava privado dos seus benefícios.   

Perído das guerras civis-Denário cunhado em Roma em 49-30
Anv. Ceres com coroa de espigas à direita
(Ref. Crawford- 467/1b, Sydenham-1024)

Diana

Diana ou Artemis, filha de Latona e de Júpiter, irmã gêmea de Apolo, nasceu em Delfos alguns instantes antes do seu irmão.
Testemunha das dores do parto de Latona, ela concebeu tal aversão ao casamento, que  Diana pediu e obteve de Júpiter, a graça de guardar uma virgindade perpétua, assim como a sua irmã Minerva.

Foi por esta razão que as duas deusas receberam do oráculo de Apolo, o nome de virgens brancas. Júpiter armou-a pessoalmente com um arco e flechas, fez dela a rainha dos bosques e deu-lhe como cortejo, sessenta ninfas conhecidas por Oceânides e, mais vinte conhecidas por Asias às quais ela exigia uma castidade inviolável.

Com este numeroso e gracioso cortejo, o seu passatempo favorito era a caça.
Todas as ninfas eram grandes e belas, mas a deusa superava-as na altura e beleza.
Tal com seu irmão Apolo ela tem diferentes nomes. Na terra Diana ou Artemis: no céu, Lua ou Febe: no inferno, Hécate.
Tinha ainda muitos sobrenomes  segundo as qualidades que lhe atribuiam, as regiões que ela favorecia, e os templos que a honravam.    

C. Hosidius C. F. Geta-Denário cerrado cunhado em Roma no ano 64
Anv. Diana drapeada à direita, 
(Rev. Crawford-407/1, Sydenham-904)

Deuses Penates (ou Domésticos)

Nas suas migrações, os povos antigos nunca esqueciam de levar com eles não só o culto do seu país de origem, mas também as estátuas antigas venerados pelos seus antepassados.
Esses ídolos eram como uma espécie de talismã nos novos estados ou novas cidades, e eram chamados deuses Penates ou Domésticos.

As grandes e pequenas povoações e simples casas tinham os seus, assim como as grandes cidades e estados.
Tróia teve como Penati (o Paládio ou ((Palladium)), uma  estátua em madeira de Minerva, protetora e guardiã do seu destino, Roma também teve os seus Penates.  

A adoração desses deuses é de origem Frígia e Samotrácia. Tarquínio Prisco (ou o Antigo), educado na religião dos Cabiros, construiu um templo único a três divindades samotrácias, mais tarde chamadas de Penates dos Romanos.

As famílias eram livres de escolherem os seus Penates entre os deuses ou grandes homens divinizados.
É importante não confundir estes deuses, com o deus Lares que se transmitiam como legado de pai para filho.  Em todas as casas se reservava um espaço para eles; um altar e por vezes um santuário.

C. Sulpicius C. F. Galba-Denário serrado cunhado em Roma no ano 106
Anv. Deuses Penates laureados à esquerda
(Ref. Crawford-312/1, Sydenham- 572)

Hércules

Homero dá o nome de herói, aos homens que se distinguiram pela sua força e coragem nos seus feitos ou acções.
Hesíodo designa por herói os filhos de um deus e uma mortal. O tipo de Hércules corresponde a estas duas versões.

A lenda de Hércules com variações, amplificatrices, encontra-se em quase todos os povos da antiguidade: Egito, Creta, na Fenícia, Índia e mesmo na Gália.
Cicero dá-nos seis heróis com o nome de Hércules. Varrão (Marco Terêncio), fala em quarenta e três.
De todos eles, o mais conhecido é o Hércules venerado pelos gregos e romanos e, ao  qual se dedicam quase todos os monumentos, é incontestavelmente o Hércules de Tebas, filho de Júpiter (Zeus) e da mortal Alcmena, (na mitologia grega) esposa de Anfitrião.

Tebano por nascimento, Hércules é no entanto originário de Argos. Por Alcmena e Anfitrião pertencia à família de Perseu, e pelo nome do seu avô paterno Alceu Hércules é muitas vezes citado como um dos Alcides.
Hércules (em grego Heracles, um apelido que significa glória de Hera), o seu nome verdadeiro era Alceu ou Alcides.


P. Cornelius Lentulus Marcelino-Denário cunhado em Roma no ano 100
Anv. Hércules ainda jovem com a cabeça descoberta
(Após ter executado os doze trabalhos , entre eles matar o leão de Nemeia ; Hércules aparece sempre com a pele do leão na cabeça)
(Ref. Crawford-329/1ª, Sydenham-604)

Honos e Virtus (Honra e Virtude))

A Honra ou a Glória militar foi em Roma objecto de veneração.
Em sua honra foram construídos templos, onde foram adorados separadamente ou juntos com o Valor (Virtude).
O  mais antigo desses templos parece ser o que foi construído em frente da porta Colina, num local onde terá sido encontrada uma placa de chumbo gravada com a palavra HONORIS.
O mais conhecido foi dedicado no ano 233, por Q. Fabius Maximus Verrocosus, perto da Porta Capena. M. Marcelus (general e político romano) ampliou o templo e dotou-o de obras-primas de arte grega, subtraídas a Siracusa. 

O general prometeu consagrar um templo à Honra e Virtus mas, sob a influência dos pontífices que não queriam as duas divindades reunidas no mesmo santuário, ele anexou-lhe outro para a Valor.
Cipião Emiliano (Publius cornelius Scipio Aemilianus), após a queda de Numância no ano 133, construiu um templo só para Virtus.
Marius com o fruto do saque sobre os  Cimbros e Teutões no ano 101, construiu outro no Capitólio para Honos e Virtus reunidos.
Outro santuário consagrado às duas divindades foi construído no teatro de Pompeio e, outro fora de Roma em Pouzzoles (hoje Puzzuoli-Itália).
Numerosas inscrições atestam que o seu culto espalhou-se por todo o mundo romano.
As divindades eram festejadas ao mesmo tempo. O imperador Augusto fixou a  data do festival para o dia 29 de maio de cada ano.

Q. Fufius Calenus e Mucius Cordus- Denário cerrado cunhado em Roma no ano 68
Anv. Honos laureada e Virtus com capacete
(Ref. Crawford-403/1, Sydenham-797)

Jano

Jano; divindade Romana sobre a qual há muitas divergências entre os mitologistas.
Alguns dizem ser de origem Cita, (povo antigo iraniano de pastores nómadas equestres).
Outros, que era de origem Perrébia, (um povo grego que viveu no norte da Tessália (região do centro da Grécia Antiga), ou  ser um dos  filhos de Apolo e de Creúsa, filha de Priam Erecteu, (rei lendário da cidade estado de Atenas) 

Quando adulto, Jano equipou uma frota, acostou na Itália onde fez numerosas conquistas e deu o seu nome a uma cidade: “Janicule”. (Todas estas origens são confusas e obcuras).
Todavia a lenda fá-lo reinar desde jovem no Lácio (Latium).
Saturno quando foi expulso do céu, refugiou-se neste país onde foi recebido por Jano que o associou ao poder real.

Como agradecimento, da sua hospitalidade, Saturno ofereceu a Jano o dom de uma dupla ciência. Este poder permitia dominar a ciência do passado e do futuro, daí a representação de Jano com dois rostos orientados em sentidos opostos.

Por ser representado com dois rostos, Jano também era considerado o deus das portas, porque também há duas  possibilidades de abrir uma porta.
É por isso que as portas do templo estavam sempre abertas em tempo de guerra, para que Jano pudesse sair em socorro dos romanos.
Entre o reinado de Numa Pompílio (segundo rei lendário de Roma, 715-672), e o reinado de Augusto 27 a. C.- 14 d.C., as portas só foram fechadas duas vezes e, apenas nove em mil anos.

Anónimo-Didracma cunhado em Roma em 225-216
Anv. Cabeças opostas de Jano
(Rev. Crawford-29/3, Sydenham-64, RBW-63)

Juno 

Juno era filha de Saturno e Reia, e  irmã de Júpiter, Netuno, Plutão, Ceres e Vesta.
Segundo Homer, foi criada com Tétis e Océan ou Océanos. Outros dizem que foram as Horas que a alimentaram e educaram. (Em latim Horai, constituiam na mitologia grega um grupo de deusas que presidiam às estações do ano).

Juno casou com Júpiter seu irmão gêmeo e neste caso rainha dos deuses. O seu casamento foi realizado em Creta , no território dos Gnossianos.
Para tornar o casamento mais solene, Júpiter ordenou a Mercúrio para convidar todos os deuses, todos os homens, todos os animais.
Todos compareceram excepto Quelone, uma ninfa que não temeu a cólera de Júpiter, riu-se deste casamento, e o rei dos deuses transformou-a em tartaruga.

Júpiter e Juno não viviam em harmonia; as discórdias eram frequentes entre eles. Juno era batida e maltratada pelo esposo, por causa do seu humor impertinente. 
Homer, diz que uma vez Júpiter suspendeu-a com uma corrente de ouro e, com uma bigorna atada em cada pé entre o céu e a terra. Seu filho Vulcano (o deus ferreiro) ao tentar libertar a mãe, levou um pontapé do pai que o atirou do céu para a terra. 

L. Thorius Balbus-Denário cunhado em Roma no ano 105
Anv. Juno com uma pele de cabra na cabeça
(Ref. Crawford-316/1, Sydenham-598)

Júpiter

Dizem os poetas que Júpiter é pai e rei dos deuses e dos homens. Ele reinou no Olimpo e, com um aceno de cabeça podia sacudir o universo.
Era filho de Reia e do irmão e esposo Cronos que lhe deu seis filhos (os Crónidas): três mulheres, Vesta, Ceres e Juno, e três homes, Plutão, Netuno e Júpiter.
Cronos que tinha medo de ser destronado por causa da maldição de um  oráculo, engolia os seus filhos ao nascerem.
Já tinha devorado Vesta (a filha mais velha), Céres, Plutão e Netuno, quando Reia grávida para salvar o filho, refugiou-se em Creta numa caverna dos montes Dícti, onde ela deu ao mundo os gémeos Júpiter e Juno.

Juno foi devorada por Crosnos, no entanto para enganar o marido, Reia fê-lo engolir uma pedra enrolada num pano pensando que era Júpiter.
Para salvar o filho, Reia confiou-o a Adrasteia e Ida, duas ninfas de Creta, também conhecidas por Melissas que o nutriram com o leite da cabra Almateia e mel.

Segundo Pausânias, confiou a sua infância aos Dáctilos que ele identifica como os  cinco irmãos Curetes: Heracles de Ida, Peoneu, Epímedes, Lásio e Idas.
Quando Júpiter cresceu, resolveu vingar-se do seu pai, solicitando para esse efeito o apoio de Prudência (filha do titã Oceano) que ofereceu a Cronos uma poção mágica, que o fez vomitar a pedra e os filhos que tinha devorado.

Anónimo-Vitoriado cunhado em Roma 211-208
Anv. Júpiter laureado à direita
(Ref. Crawford-93/1c, Sydenham-83 var.

Mercúrio

Mercúrio: filho de Júpiter e de Maia (filha de Atlas), era o Hermes dos gregos ou seja intérprete ou mensageiro. O seu nome latino deriva da palavra Merces, mercadoria.
Mensageiro dos deuses sobretudo  de Júpiter, ele servia-os com um zelo infatigável, sem escrúpulos  mesmo em tarefas desonestas, participava  como leal servidor em todos os casos.
Vemo-lo ocupar-se da paz e da guerra, das discórdias, dos amores dos deuses do interior do Olimpo e, dos interesses gerais do mundo; no céu, na terra, no inferno.

Também se encarregava de fornecer e servir a ambrosia (ou ambrósia) à mesa dos imortais. Presidia aos jogos, assembleias, ouvia alocuções públicas aos quais ele respondia por sua iniciativa ou, segundo as ordens que tinha recebido.
(Ambrosia: também chamada Manjar dos Deuses do Olimpo, era um doce com divinal sabor, que teria poder de cura e, se um mortal comum a comesse morria.)

Segundo a mitologia, era Mercúrio com a sua varinha divina (ou caduceu),  que levava a alma dos mortos para o inferno, e por vezes as trazia novamente à terra.
Não se podia morrer, antes de Mercúrio quebrar inteiramente os laços que unem a alma e o corpo.

Deus da eloquência e da arte de falar bem, também era o deus dos comerciantes viajantes, carteiristas, e dos homens desonestos que utilizavam artimanhas para roubar os outros.
Plenipotenciário dos deuses, assistia a tratados de aliança que aprovava  ou não: também não era estrangeiro às declarações de guerra entre cidades e povos.
Foi a ele que os deuses confiaram a delicada tarefa de levar perante o pastor Paris, as três deusas rivais do concurso da beleza.

C. Mamillius Limetanus-Denário cerrado cunhado em Roma  no ano 82
Anv. Mercúrio drapeado com um pétaso alado na cabeça
(tipo de chapéu de abas largas, usado pelos gregos e romanos antigos)
(Ref. crawford-362/1a, Sydenham-741)

Minerva

Minerva, filha de Júpiter, era a deusa da tranquilidade, da guerra, da ciência e das artes.
Júpiter depois de comer a Prudência, sentindo uma grande dor na cabeça foi consultar Vulcano que com um golpe de machada lhe abriu a cabeça.
Do seu cérebro saíu Minerva totalmente armada e,  em idade que lhe permitiu secorrer o seu pai na Guerra dos Gigantes onde ela se distinguiu pela sua bravura.

Uma das características mais famosas da história de Minerva, foi a sua disputa com Netuno, para dar o seu nome à cidade de Atenas.
Os doze grandes deuses escolhidos para árbitos, decidiram que, aquele que produzisse a coisa mais útil para a cidade, dava-lhe  o seu nome.
Netuno ao espetar  o seu tridente na terra fez sair um cavalo: Minerva fez sair uma oliveira que lhe garantiu a vitória.

P. Servilius M. F. Rullus-Denário cunhado em Roma no ano 100
Anv. Minerva drapeada com capacete à esquerda
Ref. Crawford- 328/1, Sydenham-601b)

Netuno

Filho de Saturno e de Reia, era irmão de Júpiter e Plutão. Reia logo que deu à luz Netuno, escondeu-o num curral em Arcádia, e fez acreditar Saturno que tinha tido um potro que lhe deu para ele  comer.
Na divisão que os três irmãos fizeram do universo, a ele coube-lhe o mar, as ilhas e todas todas as áreas costeiras.

Governou o seu Império com uma calma impertubável, do fundo do mar onde se encontra a sua agradável morada, ele sente tudo o que acontece com as ondas que os fortes ventos espalham precipitadamente, e se abatem na costa causando grandes naufrágios injustos.

Netuno aparece,  e com uma serenidade nobre faz entrar as águas no mar, abre canais através dos baixios, com o seu tridente soleva navios encalhados nas rochas ou enterrados na areia, restabelece com uma palavra toda a desordem das tempestades.

Quando o seu irmão Júpiter que ele sempre serviu fielmente derrotou os Titãs seus terríveis concorrentes, Netuno guardou-os fechados no inferno, para os impedir de tentarem novos empreendimentos e, manteve-os fechados por trás dum muro instranponível formado por suas ondas e rochas


L. Lucretius Trio-Denário cunhado em Roma no ano 76
Anv. Netuno laureado à direita e tridente
(Ref. Crawford-390/2, Sydenham-784)

Roma

Roma é uma divindade feminina que personifica a cidade de Roma e o poder romano.
Em alguns casos, não é fácil saber se estamos a lidar com a divindade ou, com uma simples personificação de caracter alegórico.

Roma apareceu em moedas, a partir do III século a.C..Talvez nessa ocasião, ela fosse apenas uma alegoria comum, ainda  não deificada.  
O primeiro templo consagrado à deusa Roma, foi edificado em Esmirna (também conhecida noutras línguas por Smyrna  e Smirne) por volta do ano 191. Segundo Tive Live , em Alabanda (na Cária), onde não só lhe dedicaram um templo, como também realizavam jogos anuais em sua honra.

No período imperial, o culto de Roma era praticado sobretudo nas províncias romanas; começando no Oriente, onde foi mais fácil introduzir na tradição das monárquias helenísticas.
O culto participou na exaltação do poder romano, e à fidelização das populações locais.
Ele é um elemento do culto imperial: o imperador Augusto, autorizou a construção de templos ou altares consagrados a Roma, em assossiação com Júlo César ou, sómente ele.

No entanto o imperador Adriano mandou construir em Vélia , entre o Fórum Romano e o Coliseu, o templo de Roma e Vénus.
É um templo duplo com quatro colunas, constituído com duas (cellae) celas ecostadas uma à outra, das quais uma é dedicada à deusa Roma e outra a Vénus, associando o mito das origens da cidade ao seu poder.

Q. Lutatius Cerco-Denário cunhado em Roma, cerca de 109-108
Anv. Deusa Roma com capacete Coríntio com crista, ornamentado com estrelas e penas
(Rev. Crawford-305/1, Sydenham-559)

A Saúde

Sabemos que a Saúde (em latim salus) filha de Esculápio (deus da medicina e da cura ) e de Minerva, era venerada pelos gregos como uma das mais poderosas divindades.
Os romanos adotaram o culto desta deusa que veneravam com o nome de Salas à qual consagraram muitos templo em Roma e  instituiram um colégio de sacerdotes para a servir.

Só esses sacerdotes tinham o direito de ver a estátua da deusa e, alegavam ser os únicos a ter o direito de pedir aos deuses, a saúde para os  particulares e a salvação do Estado, porque o Império Romano considerado um grande corpo, foi colocado sob a proteção desta divindade.

A deusa Saúde era representada sob a figura de uma jovem rapariga, (por vezes sentada num trono enfeitado com ervas medicinais, com uma patera na mão direita e uma serpente na esquerda).
Ao lado dela havia um altar, em torno do qual havia uma serpente enrolada de modo que a sua cabeça ficasse acima do altar.


D. Silanus-Denário cunhado em Roma no ano 91
Anv. A Saúde (também conhecida por Hígia) com diadema à direita
(Ref. Crawford-337/2f, Sydenham-645c)

Saturno 

Filho mais velho de Urano e de Vesta, ou do Céu e da Terra, Saturno após ter destronado o seu pai, obtém do seu irmão mais velho "Trintão", o favor de reinar em seu lugar.
Todavia Trintão impôs uma condição: Saturno tinha que matar e comer todos os seus descendentes de sexo masculino, afim que a susseção do trono ficasse reservada aos próprios filhos de Trintão.

Saturno casou com Reia com a qual tiveram muitos filhos que ele devorou avidamente, como tinha combinado com o seu irmão.
Sabendo que um dia ele ia ser destronado por um dos seus filhos, ele exigiu da sua esposa que lhe entregasse todos os récem-nascidos.

No entanto, Reia conseguiu salvar Júpiter que quando adulto, entrou em guerra com o  pai que derrotou e, depois de o tratar como Trintão tinha sido tratado pelos seus filhos, expulsou-o do Céu e assim a dinastia de Saturno  continuou ao detrimento de Trintão. 

Saturno teve com Reia três filhos que ela consegui salvar: Júpiter, Netuno, Plutão e uma filha, Juno irmã gêmea e esposa de Júpiter. Alguns mitologistas ainda adicionam Vesta deusa do fogo e Ceres deusa das colheitas.
Saturno teve ainda muitos filhos com outras mulheres; o centauro Quirom, Filira etc,.

Diz-se que Saturno destronado por seu filhoJúpiter e reduzido a um simples mortal, refugiou-se no Lácio (Itália), onde reuniu todos os homens ferozes dispersos nas montanhas e deu-lhes leis.
O seu reinado foi a idade de ouro: os seus indivíduos agora pacíficos, foram governados com suavidade.

A igualdade das condições foi restabelecida: nenhum homem estava ao serviço de outro; ninguém tinha nada que lhe pertencesse a ele próprio; todas as coisas eram comuns, como se todos tivessem o mesmo legado.
Era para lembrar esta época feliz que em Roma eram celebadas as Saturnais; um festival da Roma Antiga em honra do deus Saturno que ocorria no dia 15 do mês de dezembro no Calendário Juliano.

Estas festas cuja instituição remonta no passado muito além  da fundação de Roma, consistia principalmente a representar a igualdade entre os homens. O imperador Augusto ordenou que elas fossem celebradas durante três dias, mais tarde, o imperador Calígula acrescentou mais um dia.

A festa começava com um sacrifício no templo do deus Saturno no Fórum Romano, seguida de um banquete público, e troca de presentes em privado.
A festividade continuava numa atmosfera carnavalesca, que derrubava as normas sociais romanas.
Os jogos eram permitidos e os senhores ofereciam um serviço de mesa aos seus escravos.
O poeta Catulo (em latim Gaius Valerius Catalus. Verona 80 ou 84-57 ou 54 d.C., chamava o festival  de "o melhor dos dias".

L. Memmius-Denário cerrado cunhado em Roma , cerca do ano 106
Anv. Saturno cabeça laureada à esquerda
(Ref. Crawford-313/1b-Sydenham-574)   

O Sol

O Sol (ou Hélio), filho dos titãs Hiperião (ou Hiperion) e de Teia, foi afogado no rio Herídano, pelos Titãs seus tios.
Teia que procurou ao londo do rio o corpo do seu filho,adormrceu de cansaço e viu num sonho, Helena (irmã de Castor e Polux), que lhe disse para não chorar a sua morte, porque ele foi elevado à categoria de deus e, o que antes no céu se chamava fogo sagrado, passaria a chamar-se Hélio (em latim Helius).

Os gregos e romanos chamavam-lhe frequentamente Febo ou Apolo, no entanto alguns poetas fazem geralmente uma distinção entre Apolo e o Sol e, reconhecem nele duas divindades diferentes.
Homero, na "Adultera" de Marte e Vénus, diz que Apolo assistiu a esta cena como ignorantee, o facto é que o Sol informado de toda a intriga, informou Vulcano.

Logo após o dilúvio, Hélio apaixonou-se por Rode, filha de Posidon eVénus, ou Poseidon, e Anfitrite ninfa da ilha à qual ele deu o seu nome.
Ele teve com esta ninfa sete filhas; as Helíadas que se dividiram entre elas a ilha de Rodes.
Esta ilha foi consagrada ao Sol e, os seus habitantes que se diziam descendentes das Helíadas, dedicavam-se com muita devoção à sua adoração.

O seu número e nomes variam segundo os autores: podemos citar Astriz, Dioxipe, Égle, Egerie, Hélia, Mérope e Febe ou Foibe.
O deus Sol também amou e casou com Perseis (ou Persa) filha de Tetis e Oceano com a qual tiveram quatro filhos. Eetes (que mais tarde foi rei da Cólquida, Persie, Circe (na mitologia grega uma feiticeira especialista em venenos) e Pasifae.

O culto do Sol foi espalhou-se por todo o mundo antigo. Os gregos adoravam e juravam, em nome deste astro, uma fidelidade total nos seus compromissos.
Numa montanha perto de Corinto, havia  vários altares dedicados ao Sol e, depois das Guerras Persas, os habitantes de Trezena  (cidade grega), dedicaram um altar a Hélio Libertador.
Entre os egípcios o Sol era a imagem da divindade e, foi-lhe dedicada uma cidade inteira "Heliopolis".

Man. Aquilillius-Denário cunhado em Roma, em 109-108
Anv.O Sol com a cabeça radiada à direita
(Ref. Crwford-303/1)

Vénus

É uma das divindades mais célebres da antiguidade: é ela que presidia os prazeres do amor.
Sobre a sua origem assim como outros deuses ou deusas, os poetas não estão de acordo.
Inicialmente eram duas Vénus; uma nasceu da espuma do mar aquecida co o sangue de Caelus (ou coelus), que se misturou quando Saturno levantou a mão (sacrilégio) sobre o seu pai.

Diz-se que desta mistura, nasceu a deusa perto da ilha de Chipre, na nácar de uma concha.
Homer, afirma  que foi uma libelinha  que a touxe para a ilha, e entregou-a às Horas que se comprometeram criá-la.
Esta deusa assim concebida seria a verdadeira Vénus, Afrodite dos gregos, que significa nascer da espuma (em grego Aphros).

Por vezes foi dada a esta divindade uma origem menos estranha, ao dizerem que era filha de Júpiter e Dione, filha de Netuno e, portanto seu primo.
Qualquer que seja a origem que os diferentes poetas deram a Vénus e, embora muitas vezes o mesmo poeta fale da deusa de forma diferente,eles sempre honrraram a mesma Vénus celestial e marinha, deusa da beleza e do prazer, mãe dos amores, das graças, dos jogos e dos risos.

Foi à mesma Vénus, que eles atribuiram todas as fábulas que criaram sobre esta divindade , que foi dada por Júpiter  como esposa a Vulcano. Suas brilhantes galhardias com Marte fizeram dela a chacota dos deuses.
Ela amou com muito ardor Adónis, foi mãe de Heros e Cúpido; amor do piedoso Eneias e de grande número de mortais, porque as suas aventuras com habitantes do céu, da terra e mar foram incalculáveis.

Foram erguidos em sua honra templos na ilha de Chipre na cidade de  Pafos, na ilha Citera etc,, daí os nomes de Cypris, Paphia e Cythéree.
Também era conhecida por Dione como sua mãe Anadiômenaque que significa "sair das águas"etc,.

Vénus tinha um cinto onde estavam fechadas as graças, o charme, o sorriso cativante, palavras doces o suspiro mais presuasivo e a eloquência dos olhos.
Após a sua aventura com Marte, a deusa refugiou-se em primeiro na idade de Pafos, (Chipre) e depois escondeu-se na floresta Cáucaso.
Todos os deuses a procuram durante muito tempo sem sucesso mas, uma velha que indicou-lhes o local da sua aposentaria, Vénus puniu-a trasformou-a numa rocha.

Nada é mais famoso do que a vitória de Vénus no julgamento de Paris,  contra Juno e Palas.
Embora as suas rivais tivessem exigido que antes de entrar no tribulal ela retirasse o seu temível cinto.

Ela expressou perpétualmente a sua gratidão a Paris, a quem ela arranjou casamento coma Bela Helena, aos troianosque sempre protegeu contra os gregos e, até mesmo de Juno.

Júlio César-Denário cunhado em Roma, em 46-45
Anv. Vénus com diadema,lituo e cetro ao ombro
Ref. Sydenham-1015/c 14, Sear-59)

Vitória

Era na mitologia romana a deusa da Vitória
Os gregos faziam dela uma divindade poderosa.
Era filha de Estige (um dos rios do inferno) e de Palas, uma das Titãs da segunda geração.

A deusa Vitória tinha muitos templos na Grécia, Itália e Roma. É quase sempre representada com asas, segurando numa das mãos uma coroa de louro, e na poutra uma palma.
Por vezes também aparece em cima de um globo.
Quando os antigos queriam designar uma batalha naval, a deusa é representada  em pé na proa de um navio.

Diversos templos foram erguidos para homenageá-la e, um grande culto subsistiu por centenas de anos. adoramdo-a.
Quando no ano 382 d.C., a sua última estátua em Roma foi retirada, houve muita revoltas.
A sua adoração era muito frequente entre os generais, que lhe agradeciam pela vitória alcançada nas suas guerras.

L. Valeruis Flacus-Denário cumhado em Roma, em 108-107
Anv. Vitória com as asas, carrapito, diadema e brincos
(Ref. Crawford-306/1, Sydenham-565

MGeada

Bibliografia

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Kuri; Mario da Gama , Dicionário de Mitologia Grega e Romana , Editora, Zahar     
Pausânias, Descrição da Grécia, 2, 30 ,9.
Silvério Benedito; Dicionário Breve de Mitologia Grega e Romana, setembro 2 000, edição em português
Sousa; Manuel Félix Geada- História dos Monumentos Romanos  Contada Através das Moedas
Kuri; Mario da Gama , Dicionário de Mitologia Grega e Romana , Editora, Zahar     
Thomas Bulfinch; O Livro de Ouro da Mitologia, História de deuses e Heróis, edição em português.
Vikipédia
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